Cerca de 60 mil imigrantes do Marrocos cruzaram a fronteira para Ceuta, um enclave espanhol no norte da África, em um movimento que representa mais de 70% da população local, estimada em 85 mil habitantes. O número foi confirmado pelo líder do território, Juan Jesús Vivas, e ocorreu em meio a uma situação crítica, com ao menos 34 mortes registradas durante as travessias. A Espanha e Marrocos reagiram reforçando a segurança na fronteira, após o fluxo massivo de pessoas que chegou tanto por mar quanto por terra.
O Departamento de Segurança Nacional da Espanha havia inicialmente relatado que mais de 49 mil pessoas haviam atravessado a fronteira ilegalmente em apenas 24 horas, mas essa informação foi rapidamente retirada do site oficial sem explicações. A crise em Ceuta gerou um clima de choque e divisão na Europa, levando países como França e Itália a considerarem o endurecimento das fronteiras. A França anunciou que aumentaria as verificações em sua fronteira com a Espanha, enquanto a Itália ameaçou suspender a Espanha do acordo de Schengen, que permite a livre circulação entre os países da União Europeia.
As autoridades marroquinas tentaram conter a situação utilizando caminhões com canhões de água para dispersar as multidões, e os restos de veículos queimados, resultado de confrontos, foram encontrados nas proximidades. O governo espanhol se comprometeu a expulsar rapidamente aqueles que entraram ilegalmente, apesar das restrições impostas por decisões judiciais sobre as regras de “rejeição de fronteira”.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a União Europeia está em contato com as autoridades marroquinas para resolver a crise, descrevendo as imagens que chegam de Ceuta como “inaceitáveis”. Ela enfatizou a necessidade de respeitar as regras de entrada na União Europeia, afirmando que ninguém deve entrar sem seguir os procedimentos adequados.
Em visita a Ceuta, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, classificou a situação como uma “violação” do território nacional e expressou apoio à cidade, reconhecendo a ansiedade e o medo vividos pela população local. A situação continua a evoluir, com a comunidade internacional observando atentamente as medidas que serão tomadas para lidar com essa crise humanitária.




