Post: Haitiana morre de hipotermia três dias após ser liberada pelo ICE nos EUA

imigração - Haitiana morre de hipotermia três dias após ser liberada pelo ICE nos EUA. Caso levanta questões sobre a responsabilidade da agência.
Haitiana morre de hipotermia três dias após ser liberada pelo ICE nos EUA

A morte de uma mulher haitiana, Daphy Michel, de 31 anos, após sua liberação pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE), gerou indignação e questionamentos sobre a responsabilidade da agência. Em um laudo divulgado na última sexta-feira (12), um médico legista da Pensilvânia classificou a morte como homicídio, afirmando que Daphy morreu de hipotermia no dia 2 de março, três dias após ser solta.

O legista descreveu a mulher como uma “adulta vulnerável”, que enfrentava sérios problemas de saúde mental não tratados e uma significativa barreira linguística. O porta-voz do legista, James Madalinsky, esclareceu que a conclusão não implica em culpa criminal, mas levanta questões sobre as condições que levaram à sua morte.

Imagens de câmeras de segurança em Pittsburgh mostraram Daphy sentada em um banco, vestindo apenas um moletom, enquanto as pessoas passavam ao seu redor. Segundo o advogado da família, Joseph Patrick Murphy, a mulher não se levantou do assento durante os três dias que se seguiram à sua liberação. A última imagem capturada a mostrava deitada no chão, quando os socorristas chegaram ao local. Ela foi levada a um hospital, onde faleceu horas depois.

Este caso é o segundo do ano em que um imigrante perde a vida devido a complicações relacionadas à hipotermia após ser liberado pelo ICE. O gabinete do promotor distrital do condado de Allegheny, Stephen Zappala, está reunindo informações sobre o caso, mas ainda não se pronunciou sobre uma possível investigação.

As circunstâncias da morte de Daphy Michel são alarmantes e lembram o caso de Nurul Amin Shah Alam, um imigrante de Mianmar que também morreu de hipotermia em fevereiro, após ser deixado por agentes do ICE do lado de fora de uma cafeteria em Buffalo, Nova York. O corpo de Alam foi encontrado dias depois, e sua morte também foi classificada como homicídio.

A organização Haitian Bridge Alliance, que defende os direitos dos imigrantes, criticou a falta de responsabilidade do Departamento de Segurança Interna (DHS) e pediu respostas. A diretora executiva da organização, Guerline Jozef, enfatizou que imigrantes que buscam proteção não devem sofrer negligência ou abandono enquanto sob supervisão governamental.

Daphy deixou o Haiti em um contexto de crises institucionais, após o assassinato do presidente Jovenel Moïse em 2021. Muitos haitianos buscaram asilo nos EUA sob o governo de Joe Biden, mas enfrentaram deportações quando Donald Trump reassumiu a presidência. As regras do ICE determinam que os agentes devem priorizar a segurança e considerar as vulnerabilidades dos imigrantes, mas a tragédia de Daphy levanta sérias dúvidas sobre a aplicação dessas diretrizes.

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