Post: Governo planeja ação no STF contra PEC que altera aposentadoria de agentes de saúde

Governo federal planeja recorrer ao STF contra PEC que altera aposentadoria de agentes de saúde, com impacto financeiro significativo.
Imagem gerada com IA

O governo federal está se preparando para recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) em resposta à aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que estabelece regras especiais de aposentadoria para agentes comunitários de saúde e de combate a endemias. A informação foi confirmada nesta terça-feira (14) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan.

Segundo Durigan, a decisão de acionar a Justiça se deve ao impacto financeiro que a PEC pode causar aos cofres públicos. Ele destacou que, caso a proposta incluísse uma fonte de compensação fiscal, o governo não buscaria a intervenção do STF. “Se não estiver apontando fonte de receita, descumprindo a jurisprudência do Supremo, é provável que o governo vá ao STF”, afirmou o ministro após uma reunião na Casa Civil.

O ministro reforçou que a Constituição e a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) exigem que a criação de novos benefícios previdenciários seja acompanhada da indicação de receitas que possam compensar o impacto nas contas públicas. Caso contrário, o governo se vê obrigado a judicializar a questão.

Impacto financeiro significativo

De acordo com Durigan, a proposta representa uma “pauta-bomba”, com um impacto atuarial estimado entre R$ 27 bilhões e R$ 30 bilhões ao longo dos próximos dez anos, conforme diferentes projeções. Esses cálculos levam em conta a redução das contribuições previdenciárias e a antecipação do pagamento de benefícios decorrente das novas regras de aposentadoria. O custo pode ser ainda maior, já que as estimativas não consideram uma possível revisão de aposentadorias já concedidas.

Diálogo com o Congresso

O ministro tem mantido conversas com os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para enfatizar a importância de que propostas com elevado impacto fiscal cumpram as exigências da legislação e do arcabouço fiscal. Durigan destacou que o objetivo é preservar o equilíbrio das contas públicas, alcançado pela equipe econômica. “Tenho reiterado aos dois presidentes o compromisso com o futuro do país, para que a gente não comprometa o equilíbrio fiscal com esse tipo de medida de alto impacto”, declarou.

Apesar das manifestações do governo, a PEC foi aprovada em dois turnos pelo plenário do Senado nesta noite.

Novas regras de aposentadoria

A proposta cria um regime previdenciário diferenciado para agentes comunitários de saúde e agentes de combate a endemias. Os parlamentares argumentam que as condições específicas de trabalho desses profissionais, que atuam em visitas domiciliares, prevenção de doenças e ações de vigilância em saúde, justificam uma aposentadoria antecipada. De acordo com as novas regras, esses profissionais poderão se aposentar após 25 anos de efetivo exercício na função e de contribuição previdenciária, desde que cumpram uma idade mínima de 57 anos para mulheres e 60 anos para homens.

Além disso, a PEC estabelece regras de transição que permitem aposentadorias em idades inferiores em determinadas situações, estendendo o benefício também aos agentes indígenas de saúde e aos agentes indígenas de saneamento.

Contexto atual

Atualmente, após a Reforma da Previdência de 2019, os agentes comunitários de saúde e de combate a endemias seguem as regras gerais da Previdência Social. A concessão de aposentadoria especial depende da comprovação de exposição permanente a agentes nocivos e do cumprimento dos requisitos previstos na legislação. O governo está acompanhando a redação final do texto para decidir sobre o recurso ao STF, uma vez que o Senado aprovou o mesmo texto da Câmara dos Deputados, que não incluiu previsão de compensação financeira para os impactos fiscais.

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