No dia 22 de junho de 1986, o Estádio Azteca, na Cidade do México, se tornaria o cenário de um dos momentos mais icônicos da história do futebol. A partida entre Argentina e Inglaterra, que já carregava um peso simbólico devido à recente Guerra das Malvinas, terminou com uma vitória argentina por 2 a 1. Mas o que realmente ficou marcado na memória coletiva foi o famoso gol de Diego Maradona, batizado de ‘la mano de Dios’.
A partida estava empatada quando, aos seis minutos do segundo tempo, Maradona fez uma jogada que se tornaria lendária. Ele correu em direção ao gol, disputando a bola com o goleiro inglês Peter Shilton, que era 20 centímetros mais alto. O craque argentino conseguiu marcar o gol, afirmando mais tarde que o havia feito “um pouco com a cabeça e um pouco com a mão de Deus”. Essa declaração tornou-se parte da cultura popular, simbolizando não apenas a habilidade de Maradona, mas também a controvérsia que cercou o lance.
Quarenta anos após aquele dia histórico, a seleção argentina se prepara para mais uma Copa do Mundo, desta vez nos Estados Unidos, onde enfrentará a Áustria. O jogo de 1986, no entanto, permanece fresco na memória dos torcedores, não apenas pela vitória, mas pelo simbolismo que carregava. A rivalidade entre Argentina e Inglaterra, acentuada pela guerra, fez daquele jogo uma espécie de vingança esportiva.
O impacto de ‘la mano de Dios’ transcendeu o futebol. O gol de Maradona inspirou outros lances controversos ao longo dos anos, como o gol de mão do angolano Vata pelo Benfica na Liga dos Campeões de 1990 e o famoso gol de Messi pelo Barcelona em 2007. No entanto, nenhum desses lances alcançou o mesmo status que o de Maradona, que se tornou um verso em canções, como na música “Latinoamérica” do grupo Calle 13, que menciona o jogador e seu gol contra a Inglaterra.
A pesquisadora Adriana Novoa, que acompanhou a partida ao vivo, relembra a emoção daquele momento. “Eu me lembro perfeitamente. Aquele jogo foi muito aguardado e teve muita promoção, inclusive do próprio Maradona”, disse ela. Em sua autobiografia, Maradona descreve o jogo como uma final simbólica, reconhecendo a dor da perda de jovens argentinos na guerra. “Era uma forma de recuperar algo das Malvinas”, afirmou.
Adriana recorda que, na época, a qualidade das transmissões não permitia ver claramente o lance. “Os ingleses começaram a discutir que ele havia colocado a mão, mas eu pensei que estavam trapaceando”, relembra. O gol, no entanto, se consolidou como um dos maiores momentos da história do futebol, eternizando Maradona como um ícone não só do esporte, mas também da cultura argentina.
Assim, a lembrança de ‘la mano de Dios’ continua a ressoar, não apenas como um gol, mas como um símbolo de um momento histórico que uniu um país em torno de sua paixão pelo futebol, mesmo em tempos de adversidade.




