No Campeonato Brasileiro, Palmeiras e São Paulo têm criado chances de gol em quantidades semelhantes, mas uma métrica pouco conhecida pelos torcedores revela um cenário distinto: o time alviverde tem uma vantagem significativa em termos de gols marcados. Ao final da 29ª rodada, o Palmeiras ocupa a vice-liderança com 60 pontos, enquanto o São Paulo está em 11º lugar, com 36 pontos.
A métrica em questão é o xG, que significa “expected goals” ou gols esperados. Essa ferramenta estatística avalia a probabilidade de um chute resultar em gol, utilizando dados de milhares de finalizações anteriores para determinar a eficácia das jogadas. Fatores como distância do gol, ângulo da finalização e parte do corpo utilizada são considerados para calcular o xG de cada oportunidade.
Por exemplo, um chute feito de perto e em frente ao gol tem um xG maior do que um arremesso de longa distância ou em ângulo fechado. Assim, um xG de 0,50 indica que, em situações semelhantes, a chance de conversão em gol é de cerca de 50%. A soma dos xGs de todas as finalizações de uma equipe resulta no total de gols esperados na partida ou na competição.
Roger Machado, treinador e professor da CBF Academy, explica que “o xG permite avaliar a qualidade das oportunidades criadas, algo que o placar isoladamente não revela”. No entanto, é importante ressaltar que diferentes plataformas podem apresentar resultados variados para o xG, devido a métodos distintos de modelagem e atribuição de pesos a cada fator.
Os dados utilizados nesta análise são da plataforma FotMob. Após 29 rodadas, o Palmeiras contabiliza 48 gols, superando os 35,5 gols esperados, enquanto o São Paulo marcou 33 gols, com um xG de 39,2. Isso significa que o Palmeiras fez 12,5 gols a mais do que o projetado, enquanto o São Paulo ficou 6,2 gols abaixo do esperado.
Em termos mais simples, o ataque do Palmeiras tem sido mais eficaz, convertendo um número maior de chances em gols, enquanto o São Paulo não tem conseguido transformar suas oportunidades em gols na mesma proporção. Apesar de ter um xG 3,7 pontos superior ao do Palmeiras, o São Paulo marcou 15 gols a menos. O time alviverde balançou a rede 45,5% mais vezes do que seu rival.
Roger destaca que “o xG mostra a qualidade das oportunidades”, mas ressalta que esse número, por si só, não explica toda a diferença. Toninho Cecílio, ex-jogador e comentarista, complementa que outros fatores, como a confiança dos jogadores e a capacidade de finalização, também desempenham um papel crucial na eficácia do ataque.



