Em uma entrevista reveladora realizada na última quarta-feira (17), no hotel onde a seleção brasileira está concentrada em Basking Ridge, Nova Jersey, o lateral Danilo reconheceu que o Brasil está em desvantagem em relação a algumas das principais seleções do mundo na preparação para a Copa do Mundo. O jogador, que participou de uma série de exames antidoping promovidos pela FIFA, abordou diversos temas e destacou a importância da construção de uma identidade sólida para a equipe.
“Nós temos que ser claros”, afirmou Danilo logo em sua primeira resposta. Ele enfatizou que a falta de uma identidade coesa, devido a constantes mudanças na equipe, impacta diretamente o desempenho. “Se você tem um plano bem definido, quando a situação fica difícil, você se agarra naquilo. Isso a gente não construiu, é algo claro e óbvio.”
O defensor de 34 anos fez referência ao tumultuado ciclo da seleção, que incluiu a saída de um presidente e mudanças na CBF (Confederação Brasileira de Futebol) no ano passado. Carlo Ancelotti, atual treinador, é o quarto a assumir a equipe desde a última Copa do Mundo, e está no cargo há pouco mais de um ano. “Eu já tinha falado isso depois do amistoso contra a França. Nós não temos a maturidade, como equipe, que a França tem hoje. Não temos. O que não quer dizer que não possamos fazer um bom papel, ganhar, chegar longe”, disse, lembrando da derrota por 2 a 1 no amistoso realizado em março.
A seleção francesa, que conquistou a Copa do Mundo de 2018 e chegou à final novamente em 2022, mantém o mesmo treinador, Didier Deschamps, desde 2012. Para Danilo, o Brasil, mesmo com suas cinco estrelas no uniforme, precisa adotar uma postura mais humilde. “Nossas ferramentas têm que ser diferentes, outro tipo de mecanismo. Talvez ter uma marcação mais baixa, não pressionar tanto, aceitar que a posse da bola e o comando do jogo possam ser do adversário. Isso é maturidade. É saber que, em uma brecha, nós vamos fazer o gol, com Vinicius Junior, Raphinha, Rayan, Endrick…”, explicou.
Ele também ressaltou que as outras seleções evoluíram consideravelmente. “A diferença entre ganhar, perder e empatar é muito curta, fina”, alertou, antes de fazer uma ressalva importante: “O Brasil está na primeira divisão do futebol mundial, mas precisamos reconhecer que há um caminho a percorrer para estarmos à altura dos nossos principais rivais.”
Danilo concluiu sua análise afirmando que o Brasil deve se preparar para enfrentar adversidades, aprendendo com as experiências de seleções que têm se mostrado mais organizadas e coesas em suas estratégias. Com a Copa do Mundo se aproximando, a seleção brasileira tem o desafio de unir forças e criar uma identidade que possa levá-los a mais uma conquista.
A análise de Danilo serve como um alerta para a equipe e seus torcedores, que esperam ver o Brasil brilhar novamente nos gramados internacionais.

