A cada rodada que passa, seja no Campeonato Brasileiro, na Copa do Brasil ou na Libertadores, fica cada vez mais difícil acompanhar os 90 minutos de uma partida. Não é apenas difícil; é chato. A cera, o antijogo, as simulações e as constantes reclamações em torno do árbitro tornaram-se insuportáveis. Este humilde escriba, já rodado no meio esportivo, não consegue lembrar exatamente quando essa situação começou a se intensificar. Cera e simulação sempre existiram no futebol, mas agora parecem ter tomado conta do espetáculo.
Desde os primórdios do esporte, sempre houve jogadores que tentaram dramatizar uma falta para enganar a arbitragem. Um exemplo clássico é o do grande Rivaldo Borba, que na Copa do Mundo de 2002 conseguiu a expulsão de um jogador turco ao se jogar no chão após receber uma bolada na coxa. No entanto, hoje em dia, parece que todos os jogadores se tornaram atores de Hollywood, tentando superar as atuações de Rivaldo e Maradona, mas não no bom sentido. Cada vez que um atleta leva um toque no peito e se joga no chão, como se tivesse sido atingido por um soco poderoso, é como se uma fadinha morresse em algum lugar, e eu, como torcedor, acabo trocando de canal.
O problema não se limita apenas às simulações de contusões. As discussões, o empurra-empurra e as demonstrações de bravura em campo estão atingindo níveis intragáveis. Parece que cada treinador, capitão e goleiro se inspirou em Dick Vigarista, todos pensando em um jeito de levar vantagem sobre o adversário.
Os goleiros, em particular, merecem um estudo aprofundado, tanto na dramaturgia quanto na medicina, dada a fragilidade que demonstram. Quando o resultado está a seu favor, eles costumam pedir atendimento médico a cada defesa ou escanteio, sempre apresentando alguma dor. E contra essa cera do goleiro, o juiz, esse pobre homem de preto, não tem muito o que fazer.
Nesta 23ª rodada do Campeonato Brasileiro, estreiam as chamadas regras anti-cera, que foram testadas durante a Copa do Mundo. Essas regras incluem a limitação do tempo para cobranças de lateral a cinco segundos, a obrigatoriedade de que o tiro de meta seja cobrado em até cinco segundos após o apito, e a imposição de que jogadores substituídos deixem o campo em dez segundos. Além disso, a reposição do goleiro deve ser feita em até oito segundos, embora essa regra já existisse e não tenha funcionado, pois os juízes muitas vezes não conseguem contar até oito.
A cera e o antijogo se tornaram os grandes vilões a serem combatidos no futebol mundial, especialmente quando a Argentina chega longe em competições. A Premier League, que valoriza a qualidade do espetáculo que oferece ao mundo, também decidiu agir. Nesta temporada, se um goleiro pedir atendimento médico para ganhar tempo, seu time ficará um minuto sem um jogador de linha, e o próprio técnico poderá indicar quem deve sair. E aqueles que realmente precisam de atendimento? Eles acabarão pagando o preço pela maioria que simula contusões, um ônus que não deveria ser deles.
Neste domingo, a temporada inglesa será oficialmente aberta com a disputa da Supercopa da Inglaterra, entre Arsenal e Manchester City. O jogo acontecerá em Cardiff, no País de Gales, já que o mítico Wembley, em Londres, está ocupado com shows do cantor The Weeknd. O duelo deve marcar o reencontro do norueguês Erling Haaland com o time do Manchester City, após sua transferência. A expectativa é alta, mas, com as regras e a cultura do antijogo em evidência, resta saber se o espetáculo será realmente digno de ser assistido.



