A fumaça gerada pelos incêndios florestais no Amazonas causou a suspensão das operações aéreas de combate ao fogo neste sábado (17). De acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a baixa visibilidade nos aeroportos de Manaus impediu a segurança dos voos. O órgão aguarda a melhoria das condições climáticas para retomar as atividades.
Uma força-tarefa composta por 11 aeronaves, incluindo seis aviões Air Tractor, um da Defesa Civil estadual, um KC-390 e três helicópteros, está mobilizada para combater as chamas. Os aviões Air Tractor são utilizados para lançamentos rápidos de água, enquanto o KC-390 transporta grandes volumes para despejo nas áreas afetadas. Os helicópteros também desempenham um papel crucial, lançando água e auxiliando no transporte de brigadistas e equipamentos.
Cerca de 250 brigadistas estão atuando em campo, apoiando as equipes coordenadas pelo Ibama e outros órgãos federais. Desde o início da atual temporada de incêndios, o instituto já extinguiu 292 focos no estado, mas ainda enfrenta oito incêndios ativos.
Os números são alarmantes: entre 1º de janeiro e 12 de outubro de 2026, o Amazonas registrou 7.815 focos de incêndio, um aumento de 116% em comparação aos 3.611 ocorrências do mesmo período em 2025, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em resposta à gravidade da situação, o governo federal declarou estado de emergência em 36 municípios do Amazonas na última semana, mobilizando aeronaves e brigadistas federais para reforçar as equipes em campo.
Além dos impactos diretos nos incêndios, a fumaça também afeta a qualidade do ar em regiões distantes. A Prefeitura de Manaus informou que a concentração média de partículas finas, conhecidas como MP2,5, atingiu níveis classificados como “péssimos”.
Após sobrevoar áreas afetadas no dia 11 de outubro, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, observou que a presença de focos de fogo na floresta sugere a possibilidade de ação humana intencional para degradar a vegetação e facilitar o desmatamento. O ministério destacou que incêndios iniciados em áreas florestais, ao contrário daqueles que começam em pastagens e avançam para a mata, podem indicar o uso deliberado do fogo. No entanto, a identificação dos responsáveis e as circunstâncias dos incêndios dependem de investigações pelos órgãos competentes.
A ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, criticou declarações do senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro sobre o desmatamento na Amazônia, chamando-o de “incompetente” e “ignorante”. Durante um ato em apoio à reeleição de Lula (PT) em São Paulo, Marina contestou as afirmações de Flávio, que alegou que o governo Lula teria registrado recordes de destruição ambiental na Amazônia. Em resposta, ela apresentou dados do Inpe que, segundo ela, indicam a menor taxa de desmatamento da série histórica na região.



