O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) apagou publicações antigas em seu perfil no X (ex-Twitter) onde criticava o Bolsa Família, um programa de transferência de renda voltado para famílias em situação de vulnerabilidade. A exclusão das postagens foi confirmada pelo jornal Estado de S.Paulo, que havia arquivado as mensagens do senador em junho deste ano. Até o fechamento desta reportagem, a campanha de Flávio não havia se manifestado sobre o assunto.
Em uma das postagens removidas, datada de novembro de 2011, Flávio se referiu ao Bolsa Família como “bolsa-farelo”. Na época, ele era deputado estadual no Rio de Janeiro e se opôs a um projeto que visava criar um programa estadual para complementar o benefício federal. “Fui o único voto contra na @alerj ao projeto ‘Renda Melhor’, que chamei de ‘bolsa-farelo’, pelo seu caráter clientelista eleitoral”, escreveu ele em um dos tweets. O termo “bolsa-farelo” foi utilizado em mais de uma ocasião em suas críticas ao programa.
Além disso, Flávio insinuou que o Bolsa Família seria utilizado como uma ferramenta para angariar votos de forma eleitoreira, atacando diretamente o Partido dos Trabalhadores (PT). Em um tweet de março de 2010, ele afirmou que “3% da população tem ensino superior, 30 milhões recebem bolsa-família, 80% dos eleitores votam em troca de alguma coisa”. Em abril do mesmo ano, ele completou: “Enquanto se trocar voto por cesta básica, bolsa-família e esmola, o Brasil não vai para frente”.
A exclusão dessas postagens, que criticam um programa emblemático das gestões petistas, tem sido utilizada por aliados de Lula para atacar Flávio nas redes sociais. O perfil do PT no X comentou que as postagens excluídas demonstram que o senador não apoiaria o Bolsa Família, afirmando: “Você não engana ninguém, Flávio”.
Recentemente, uma declaração da coordenadora-geral do plano de governo de Flávio, Daniella Marques, também gerou controvérsia. Ela sugeriu que, se eleito, o senador defenderia a limitação do tempo que um beneficiário poderia receber o Bolsa Família. Daniella afirmou que, caso Flávio assuma a presidência, ele propõe aumentar o período da regra de transição, permitindo que beneficiários continuem recebendo o auxílio por dois anos após alcançarem uma alta de renda, seja por meio da formalização no mercado de trabalho ou pelo empreendedorismo.
Essa proposta já existe na forma da regra de proteção, que garante a continuidade do benefício por um período após a melhora da situação financeira do beneficiário. A situação gerou reações negativas, reforçando as críticas à postura de Flávio em relação ao Bolsa Família, um tema sensível no atual cenário eleitoral.



