Em meio à expectativa do mercado em relação à possível eleição do senador Flávio Bolsonaro (PL), o economista-chefe da Warren Investimentos, Felipe Salto, adverte que a vitória do candidato não assegura um ajuste fiscal imediato. Salto, um dos principais especialistas em contas públicas do Brasil, enfatiza que, independentemente do resultado das eleições, o novo governo precisará apresentar um plano de ajuste logo após o segundo turno. Esse plano deverá abordar questões delicadas, como a Previdência, pisos constitucionais, abono salarial, emendas parlamentares, subsídios e renúncias fiscais.
O economista acredita que a implementação desse plano deve ser gradual, se estendendo ao longo de quatro anos. Segundo ele, um ajuste abrupto poderia levar o país a uma recessão, o que seria prejudicial para a economia. Salto argumenta que a apresentação de um plano coeso e eficaz para o controle da dívida pública não depende de mudanças nas regras fiscais, já que o atual arcabouço é suficiente para acomodar os ajustes necessários, bastando algumas alterações pontuais, como a redução do limite de crescimento do gasto público.
Em relação às medidas eleitorais do presidente Lula para o próximo governo, Salto estima que elas podem impactar em até R$ 48,6 bilhões no orçamento. Isso inclui iniciativas como a recomposição do Bolsa Família e um novo programa para estudantes universitários, além de outras ações que visam aliviar a carga fiscal. Embora essa pressão fiscal seja significativa, o economista ressalta que parte dessas medidas já estava considerada nos cálculos para o resultado primário, como o reajuste do Bolsa Família, que foi previsto desde junho de 2025.
Com o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 ainda aguardando aprovação no Congresso, o cenário fiscal se apresenta desafiador. Salto destaca que será preciso organizar os números para que um superávit comece a ser visível. Ele acredita que o objetivo de gerar um superávit de 0,1% do PIB já está contemplado no PLOA, mas as condições para alcançá-lo ainda não estão claras, uma vez que há receitas superestimadas e despesas subestimadas, especialmente diante das novas pressões.
Atualmente, Salto estima um déficit primário de 0,38% do PIB para 2026, o que, segundo ele, não é insustentável. Com uma combinação adequada de experiência, competência técnica e liderança política, é possível reverter esse quadro. No entanto, ele alerta que as medidas relevantes dependerão do apoio do Congresso para serem efetivadas.


