Aos 41 anos, Filipe Luís, ex-jogador do Flamengo, está vivendo um novo capítulo em sua carreira como técnico do Monaco, onde já conquistou a liderança da Ligue 1 francesa. Em uma entrevista reveladora, ele compartilha sua filosofia de jogo, suas inspirações e a intensidade de sua paixão pelo futebol.
Filipe expressa estar encantado com a recepção no clube e a qualidade do ambiente de trabalho. “Estou muito satisfeito com a forma como fui recebido e com a organização aqui. A vontade dos jogadores de evoluir é algo que valorizo muito”, afirma. No entanto, ele reconhece que implementar suas ideias é um desafio que exige tempo e dedicação. “Exijo muito de mim e dos jogadores. Assim que começamos a assimilar as ideias, tudo melhorou. Para mantermos a ambição, precisamos trabalhar na movimentação, sem perder o que já conquistamos.”
Ao ser questionado sobre seus princípios táticos, Filipe Luís explica que, defensivamente, busca colocar o adversário em situação desconfortável através da pressão. “Quando estamos no campo adversário, isso implica riscos e exige precisão na administração dos espaços. Com a bola, o objetivo é controlar o jogo e atacar sistematicamente o adversário. Temos uma grande margem para evoluir e ainda estamos longe do que desejo. Vencer enquanto evoluímos ajuda os jogadores a acreditarem nas ideias.”
As influências em sua carreira como treinador são notáveis. Filipe cita Diego Simeone, José Mourinho, Jorge Jesus e Pep Guardiola como referências que moldaram sua visão de jogo. “Simeone foi fundamental para despertar meu interesse pela profissão. Minha filosofia tem um pouco de cada um deles, mas, acima de tudo, é baseada nas minhas experiências como jogador. Minhas ideias estão profundamente enraizadas em mim, independentemente dos resultados. Porém, o resultado continua sendo o mais importante.”
A gestão do vestiário é outro aspecto que Filipe considera essencial. “Sou aberto e escuto os jogadores. Não sou adepto de discursos motivacionais excessivos. O que realmente importa é a personalidade do jogador e o processo natural da competição. Acredito que o mais forte e bem preparado vencerá. Estimulo a concorrência interna, mas todos têm o direito de errar e devem estar prontos para isso.”
Filipe também fala sobre a necessidade de estabelecer limites, como demonstrado em sua decisão de afastar Pedro, estrela do Flamengo, em 2025. “Ninguém é mais importante que a equipe. Um princípio claro foi violado e tomei uma decisão difícil. No Monaco, a abordagem é diferente, mas continuo aprendendo. Minha ambição se alinha com a do clube: crescer vencendo.”
Sobre suas ambições futuras, Filipe Luís é claro: “Para continuar no cargo, preciso vencer a próxima partida. Esse é meu princípio. Quero escrever minha própria história após o Flamengo, não para provar nada a ninguém, mas para me desenvolver como treinador e como pessoa. Sou extremamente ambicioso e não quero viver no passado. Quero mais e ver até onde meu nível pode me levar.”
Refletindo sobre sua transição de jogador para treinador, Filipe destaca que a decisão foi lógica. “Meu dia mais feliz foi minha última partida no Maracanã, mas logo após, comecei a treinar a equipe sub-17 do Flamengo. Sempre vivi para o jogo, e essa continuidade foi minha salvação. Embora tenha diversificado minhas atividades, o futebol é minha verdadeira paixão.”
Por fim, Filipe Luís comenta sobre o nível da Ligue 1, que considera subestimado. “Os treinadores trabalham muito bem e temos coragem de lançar jovens talentos. Sou completamente viciado em futebol. Ser treinador exige sacrifícios, é preciso ser louco, mas adoro essa exigência do alto nível, especialmente com o apoio da minha família.”, conclui.



