A 79ª edição do Festival de Cannes, um dos eventos mais prestigiados do cinema mundial, teve início nesta terça-feira (12) na Riviera Francesa. O festival reúne estrelas internacionais, produtores, distribuidores, plataformas, investidores e representantes da indústria audiovisual de diversos países, consolidando-se como um ponto de encontro essencial para o setor.
A cerimônia de abertura foi marcada pela exibição do longa francês The Electric Kiss (La Vénus Électrique), dirigido por Pierre Salvadori. O evento também contou com a tradicional passagem de celebridades pelo tapete vermelho, incluindo nomes como Demi Moore, Jane Fonda e Heidi Klum, além dos integrantes do júri presidido pelo cineasta sul-coreano Park Chan-wook.
O papel central de Cannes no calendário cinematográfico
Nos próximos dias, Cannes se torna novamente o centro das atenções no calendário mundial do cinema. A disputa pela Palma de Ouro, o principal prêmio do festival, atrai a atenção de críticos e amantes da sétima arte. Além disso, o Marché du Film, considerado o maior mercado internacional do audiovisual, movimenta a indústria, proporcionando oportunidades de networking e negócios.
A edição de 2026 ocorre em um momento em que o festival amplia sua influência sobre a temporada de premiações de Hollywood. Recentemente, mudanças nas regras da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas permitiram que filmes vencedores da Palma de Ouro integrem automaticamente a corrida ao Oscar de Melhor Filme Internacional, fortalecendo a conexão entre Cannes e a indústria norte-americana.
Presença brasileira em destaque
Embora o Brasil não tenha um longa-metragem integralmente nacional na competição principal deste ano, o país mantém uma presença robusta no festival por meio de coproduções internacionais e mostras paralelas. Na disputa pela Palma de Ouro, o produtor brasileiro Rodrigo Teixeira, da RT Features, participa de Paper Tiger, novo filme de James Gray, estrelado por Scarlett Johansson e Adam Driver.
Na mostra Un Certain Regard, o Brasil aparece na coprodução Elefantes na Névoa, do diretor nepalês Abinash Bikram Shah, em parceria com a produtora brasileira Bubbles Project. Outras produções brasileiras também se destacam em seções importantes do festival, como o curta Laser-Gato, do paulistano Lucas Acher, e Seis Meses no Prédio Rosa e Azul, coprodução que representa a América Latina na Semana da Crítica.
Marché du Film e a estratégia de internacionalização
No Marché du Film, instituições brasileiras reforçam a estratégia de internacionalização do audiovisual nacional. A Spcine, empresa pública de fomento ao audiovisual da cidade de São Paulo, anunciou uma agenda intensa de painéis e encontros voltados à coprodução e financiamento. “Amanhã se inicia o Marché du Film, o maior mercado internacional de cinema do mundo, e a Spcine está com uma agenda estratégica de negócios para o audiovisual paulista”, publicou a instituição.
A RioFilme também participa do evento com um estande que promove o Rio de Janeiro como destino audiovisual global. Entre as atrações, destaca-se As Maravilhas do Rio, uma experiência em realidade virtual desenvolvida em parceria com a empresa francesa The Explorers.
Reconhecimento e presença feminina
A participação brasileira em 2026 se dá após um ano histórico para o país no festival. Em 2025, o Brasil foi homenageado como País de Honra do Marché du Film, levando a maior delegação brasileira já registrada em Cannes. O cinema brasileiro conquistou reconhecimento inédito com O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, que venceu prêmios de Melhor Direção e Melhor Ator.
Outro destaque desta edição é o fortalecimento da presença feminina brasileira no mercado internacional. Coletivos como o +Mulheres promovem ações ao lado da ONU Mulheres Brasil, abordando temas como liderança feminina e coprodução internacional. A pauta da equidade de gênero se torna um eixo estratégico na presença brasileira em Cannes.
Seleção Oficial – Festival de Cannes 2026
Em Competição
- Paper Tiger, de James Gray
- Minotaur, de Andrey Zvyagintsev
- The Beloved, de Rodrigo Sorogoyen
- The Man I Love, de Ira Sachs
- Fatherland, de Paweł Pawlikowski
- Moulin, de Laszlo Nemes
- Histoire de la Nuit, de Léa Mysius
- Fjord, de Cristian Mungiu
- Notre Salut, de Emmanuel Marre
- Gentle Monster, de Marie Kreutzer
- Nagi Notes, de Koji Fukada
- Hope, de Na Hong-Jin
- Sheep in the Box, de Hirokazu Kore-eda
- Garance, de Jeanne Herry
- The Unknown, de Arthur Harari
- All of a Sudden, de Ryusuke Hamaguchi
O Festival de Cannes 2026 não apenas celebra o cinema, mas também se posiciona como um catalisador para o futuro do audiovisual global. Para mais atualizações sobre o evento e o mercado cinematográfico, continue acompanhando o Clique Agora, onde trazemos informações relevantes e contextualizadas sobre o mundo da cultura e entretenimento.




