Em Lisboa, o presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Isaac Sidney, se manifestou sobre a recente ofensiva dos Estados Unidos em relação ao sistema de pagamentos brasileiro, o Pix. Durante um debate no Fórum de Lisboa, liderado pelo ministro do STF, Gilmar Mendes, Sidney afirmou que a crítica dos EUA pode ser resultado de um “mal-entendido”. Ele argumentou que não faz sentido associar o Pix a problemas anticompetitivos, destacando que as informações que circulam a respeito do sistema são incompletas e necessitam de esclarecimentos mais profundos.
Sidney enfatizou que o governo brasileiro, o Banco Central e o setor bancário estão preparados para fornecer as informações necessárias. “Não faz sentido enxergar no Pix qualquer trilho para escoar recursos ilícitos. Temos um sistema financeiro regulado e supervisionado, e a regulação que o Banco Central exerce é comparável a qualquer outra geografia”, declarou.
O ex-diretor do Banco Central também se mostrou otimista quanto ao impacto das críticas sobre o sistema de pagamentos, afirmando que a situação deve ser encarada com tranquilidade. “Não há motivos para alarde ou para considerar isso uma crise”, disse. Ele lembrou que já está agendada uma audiência para esclarecer a questão, em resposta à proposta do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos), que sugere uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, alegando práticas comerciais desleais.
Embora alguns setores tenham sido excluídos da sobretaxa, o Banco Central foi acusado de favorecer o Pix em detrimento de outros meios de pagamento, especialmente em relação a empresas de cartão americanas. Quando questionado se via a retaliação americana como um ato político, Sidney se esquivou, afirmando que a Febraban não se envolve em questões políticas. “Temos uma abordagem técnica e acreditamos que os esclarecimentos serão prestados no momento adequado”, afirmou.
O governo brasileiro, liderado pelo presidente Lula, interpreta a ação da Casa Branca como motivada por questões políticas. O senador Flávio Bolsonaro, que se reuniu com Trump recentemente, também se manifestou nas redes sociais, pedindo que as tarifas não sejam aplicadas e se colocando à disposição de Lula para ajudar na situação.
Sidney participou de um painel sobre os rumos da economia brasileira, onde também esteve presente Eduardo Lopes, diretor de Políticas Públicas do Nubank, que abordou o sistema de pagamentos criado no Brasil. O debate, que recebeu o nome de “Gilmarpalooza”, refletiu a preocupação do setor financeiro com a imagem do Pix no cenário internacional e a necessidade de um diálogo mais claro com os Estados Unidos.


