Um ex-chefe do serviço de inteligência da Alemanha foi preso nesta terça-feira (6) sob suspeita de espionagem, acusado de tentar repassar informações sigilosas a serviços de inteligência estrangeiros, conforme informou a Procuradoria Federal do país. August Hanning, que comandou o Serviço Federal de Inteligência da Alemanha (BND) de 1998 a 2005, enfrenta acusações graves, incluindo “tentativa de alta traição” e “espionagem”. A promotoria descreveu Hanning como “fortemente suspeito de espionagem que constitui traição, obtenção de segredos de Estado e tentativa de traição”.
A investigação começou após apurações relacionadas a um sequestro, e os documentos em questão incluem informações sobre o Irã e a Rússia. Os promotores não revelaram qual serviço de inteligência estrangeiro poderia ter sido beneficiado. No entanto, a revista Spiegel noticiou que Hanning teria estabelecido contato com um agente do Azerbaijão. Além dele, um ex-chefe de gabinete, identificado como Manfred D., também foi preso por sua suposta cumplicidade em atos de traição e espionagem.
As autoridades realizaram buscas em imóveis ligados a Hanning e Manfred D. em várias localidades, incluindo Berlim. Os procuradores afirmam que Manfred D. teve acesso a informações confidenciais durante seu tempo como chefe de gabinete e que, em troca de remuneração, repassou cerca de 2.000 documentos a Hanning, muitos dos quais eram destinados exclusivamente ao uso interno do BND.
Em uma ocasião, Hanning utilizou informações sigilosas para elaborar uma análise destinada a um agente de um serviço de inteligência estrangeiro, embora não esteja claro se o material chegou ao seu destino. O atual chefe do BND, Martin Jaeger, declarou que a agência iniciou investigações internas assim que as suspeitas surgiram, enfatizando que “não pode haver concessões em relação à segurança interna”.
As acusações contra Hanning vieram à tona em meio a um caso separado envolvendo Christina Block, uma herdeira de uma rede de restaurantes, que está sendo julgada por ordenar o sequestro de seus filhos. Hanning e um policial aposentado foram acusados de aceitar uma quantia significativa de Block para trazer as crianças de volta da Dinamarca, onde estavam com o ex-marido dela. As investigações sobre esse caso levaram a buscas em propriedades de Hanning em setembro de 2025, desencadeando a atual investigação de espionagem.
A detenção de Hanning se insere em um contexto mais amplo de escândalos de espionagem na Alemanha. Historicamente, o país já enfrentou diversas crises nesse âmbito, incluindo a renúncia do chanceler Willy Brandt em 1974, após a revelação de que um espião da Alemanha Oriental atuava como seu assessor. Em 1990, um alto funcionário da contrainteligência foi condenado por traição após espionagem para a Alemanha Oriental. Mais recentemente, em 2024, Hans-Georg Maassen, ex-chefe da inteligência interna, afirmou estar sendo monitorado sob suspeita de extremismo político de direita, o que ele nega.
A situação atual levanta preocupações sobre a segurança e a integridade dos serviços de inteligência na Alemanha, com autoridades prometendo rigor nas investigações e punições severas para qualquer traição de segredos de Estado.



