A inquietação em relação ao futuro do Brasil e os riscos às instituições democráticas, especialmente na véspera do segundo turno das eleições presidenciais, têm levado o movimento estudantil a retomar as ruas. Milhares de estudantes têm se mobilizado em diversas cidades para defender a democracia e a educação pública, além de se posicionar sobre os candidatos e suas propostas. Em entrevista à Agência Brasil, a presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, ressaltou o papel fundamental que universitários e secundaristas têm desempenhado nos atos realizados em todo o país, relembrando a trajetória histórica dos estudantes brasileiros em momentos decisivos da política nacional. Ela mencionou lutas passadas, como a resistência à ditadura militar, as mobilizações por eleições diretas, e a oposição ao governo de Jair Bolsonaro.
“Neste momento, nós vemos não só uma eleição em jogo, mas verdadeiramente o futuro do nosso país em risco”, afirmou Bianca, ressaltando o temor da ascensão de um governo autoritário que se opõe à educação e representa um retrocesso. A dirigente também destacou os desafios enfrentados pelas universidades públicas, como o subfinanciamento e a necessidade de ampliar a assistência estudantil, garantindo condições para que alunos de baixa renda permaneçam nos cursos. Ela relaciona a defesa da democracia à valorização da universidade pública e à melhoria das condições de vida da juventude e da classe trabalhadora. Bianca enfatizou a importância de manter a organização estudantil além do período eleitoral, defendendo que a participação coletiva é essencial para transformar reivindicações em direitos.
“Os estudantes se levantam pelos direitos, pela educação, pela soberania e pela democracia brasileira diante dessa ameaça. Isso é da própria vocação dos estudantes brasileiros, desde a fundação da UNE tem sido assim”, ressaltou. Na última sexta-feira, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), negou um pedido da campanha do candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) para barrar publicações nas redes sociais de 54 dirigentes de sindicatos, movimentos sociais e entidades estudantis, incluindo a UNE. Bianca Borges, estudante de letras do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), assumiu a presidência da UNE para o mandato de 2025–2027. Iniciou sua trajetória no movimento estudantil aos 14 anos e, ao longo dos anos, ocupou diversos cargos de liderança, incluindo a presidência da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP). Em um momento de mobilização intensa, Bianca explica que a UNE e outras organizações estudantis decidiram voltar às ruas devido à gravidade da situação política atual. “A eleição do Flávio Bolsonaro representa a possibilidade da ascensão de um governo autoritário, que é contra a educação, um governo de retirada de direitos e de retrocesso”, afirmou. Ela também comparou o momento atual com a Passeata dos 100 mil, realizada em 1968, durante a ditadura militar, destacando a grande participação de jovens nos atos. Bianca observou que o levante começou nas universidades, com um ato na Universidade Federal Fluminense (UFF) logo após o primeiro turno das eleições. O evento, inicialmente planejado como uma assembleia, atraiu mais de mil estudantes, que se uniram nas ruas em um movimento que rapidamente ganhou força. O protagonismo dos estudantes é notável, com a maioria sendo universitários organizados por centros acadêmicos e diretórios centrais de estudantes, mas também houve uma mobilização significativa de estudantes secundaristas. O ato da Candelária, que ocorreu no Rio de Janeiro, foi um exemplo do poder de mobilização da juventude brasileira. O movimento estudantil, com sua rica história de luta e resistência, continua a se afirmar como uma força vital na defesa da democracia e da educação no Brasil, mostrando que a juventude está disposta a lutar pelo futuro do país.




