Post: Espanha se desculpa por declarações de ex-primeiro-ministro sobre seleção francesa

Espanha pede desculpas por declarações do ex-primeiro-ministro Mariano Rajoy sobre a seleção francesa, classificadas como intoleráveis.
Imagem gerada com IA

A Espanha emitiu um pedido de desculpas oficial por conta de uma coluna escrita pelo ex-primeiro-ministro Mariano Rajoy, que afirmou que a seleção masculina de futebol da França não contava com jogadores franceses. O ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, classificou as declarações de Rajoy como “intoleráveis” e afirmou que não representam a opinião da maioria dos espanhóis. Em entrevista à rádio Cadena SER, ele destacou a gravidade de usar a cor da pele como critério para definir a cidadania, especialmente em um momento em que a Espanha se prepara para enfrentar a França nas semifinais da Copa do Mundo.

Rajoy, que ocupou o cargo de primeiro-ministro de 2011 a 2018, fez suas declarações em um artigo publicado na sexta-feira (10) na plataforma online El Debate. Ele elogiou a qualidade do elenco francês, mas questionou a “francesidade” de alguns jogadores, insinuando que suas heranças africanas e afro-caribenhas os tornariam menos franceses. “A França tem um elenco do mais alto calibre. Mas, veja bem, não há jogadores franceses nele”, escreveu Rajoy. O ex-primeiro-ministro não estava disponível para comentar suas declarações.

Borja Semper, porta-voz do Partido Popular (PP), minimizou a controvérsia, afirmando que o texto foi escrito sem má intenção e que deveria ser interpretado como uma ironia. No entanto, a resposta de figuras políticas foi contundente. O atual primeiro-ministro, Pedro Sánchez, que estava em Paris para o Dia Nacional da França, criticou as afirmações de Rajoy em uma postagem no X, descrevendo-as como vergonhosamente xenófobas.

A repercussão das palavras de Rajoy foi imediata e unânime na França, onde tanto o governo quanto a oposição de extrema-direita condenaram suas declarações. O ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, chamou os comentários de “patéticos” e afirmou que a França não possui uma cor de pele definida. Ele enfatizou que qualquer declaração em contrário é um sinal de idiotice ou racismo.

A controvérsia surge em um contexto delicado, logo após um escândalo envolvendo uma senadora paraguaia que fez comentários racistas sobre Kylian Mbappé, capitão da seleção francesa. A senadora, Celeste Amarilla, descreveu Mbappé de forma pejorativa em um post no X, o que levou à condenação de sua postura e à apresentação de uma queixa criminal pela Federação Francesa de Futebol.

O governo do Paraguai também se manifestou, rejeitando os comentários de Amarilla como contrários aos valores do país. Em meio a esses eventos, a Espanha se vê em uma situação delicada, onde a xenofobia e o racismo estão em pauta, especialmente em um evento de grande visibilidade como a Copa do Mundo.

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