A possibilidade de Flávio Bolsonaro, senador do PL, vencer as eleições no Brasil tem gerado preocupações significativas entre entidades europeias. As análises destacam riscos geopolíticos, ambientais e comerciais que poderiam emergir caso o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro assuma o cargo. A preocupação central gira em torno de temas como a proteção da Amazônia e a manutenção do Estado de direito, que poderiam ser comprometidos sob uma nova gestão da família Bolsonaro.
O jornal alemão Die Zeit, em uma reportagem recente, destacou a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, questionando como, mesmo com seu histórico, os brasileiros quase elegeram seu filho no primeiro turno das eleições. O desempenho de Flávio Bolsonaro surpreendeu a mídia europeia, que já havia descrito a disputa com Luiz Inácio Lula da Silva como acirrada. Essa ascensão da direita brasileira levanta questionamentos sobre as relações futuras do Brasil com a Europa.
Um dos principais pontos de preocupação é a potencial aproximação do Brasil com os Estados Unidos, especialmente sob uma administração alinhada a Donald Trump. Tal movimento poderia resultar em um distanciamento do Brasil em relação à União Europeia, que já enfrenta desafios na implementação do pacto comercial UE-Mercosul. Esse acordo, que contém cláusulas de proteção ambiental, poderia ser deixado de lado caso Flávio Bolsonaro priorize relações com os EUA.
Análises de risco ambiental, como as apresentadas pelo site Carbon Brief, indicam que a gestão de Lula tem sido mais eficaz na proteção da Amazônia, preservando cerca de 20 mil km² de floresta em comparação ao que se esperava se Jair Bolsonaro estivesse no poder. A Fundação Plant-for-the-Planet, de Berlim, alerta que um novo governo Bolsonaro poderia enfraquecer os órgãos de proteção florestal, com potenciais veto a novas áreas protegidas e aumento de incentivos ao desmatamento ilegal.
Além disso, a continuidade do Fundo de Florestas Para Sempre, criado pelo governo Lula antes da COP30, é uma preocupação. O fundo ainda não alcançou o suporte necessário, e sua manutenção sob uma nova administração é incerta. Flávio Bolsonaro é frequentemente descrito como um negacionista em questões ambientais, o que, segundo especialistas, poderia aumentar a probabilidade de savanização do bioma amazônico, resultando em consequências drásticas para a regulação climática. As análises apontam para um cenário preocupante, onde a política ambiental do Brasil poderia retroceder significativamente, afetando não apenas o país, mas também suas relações internacionais e o compromisso global com a proteção ambiental.



