O número de empresas na Europa que destacam o impacto das condições climáticas extremas em seus negócios aumentou significativamente. Com uma série de ondas de calor intensas, as companhias estão reavaliando suas estratégias, identificando tanto desafios quanto oportunidades. Dados da AlphaSense revelam que, nas últimas semanas, termos relacionados a calor extremo, seca e incêndios florestais foram mencionados em uma proporção recorde nas teleconferências de resultados, atingindo uma em cada dez empresas com valor de mercado superior a US$ 1 bilhão.
Diversos setores estão sentindo os efeitos diretos do calor. Fabricantes de produtos como piscinas, aparelhos de ar-condicionado e protetores solares relataram um aumento na demanda. O diretor financeiro da Groupe SEB, por exemplo, afirmou que as vendas de ventiladores na Europa cresceram 30% em junho em comparação ao ano anterior. Para a Beiersdorf, multinacional de cuidados pessoais, junho se tornou o melhor mês da história em vendas de produtos de proteção solar.
Além disso, a Fluidra, fabricante espanhola de piscinas, destacou que seus produtos estão se tornando um “refúgio climático”, representando uma oportunidade de longo prazo. Executivos da Beijer Ref, empresa sueca de sistemas de refrigeração, notaram um aumento significativo na demanda, especialmente em mercados emergentes na Europa Central e no Reino Unido.
No entanto, a adaptação às novas realidades climáticas não se limita a produtos. Muitas empresas estão implementando mudanças em suas operações. A CEO da rede de alimentação Greggs, Roisin Currie, mencionou que a nova linha de bebidas geladas ajudou a empresa a enfrentar o calor extremo do último ano. Já o presidente do grupo holandês de engenharia Koninklijke Heijmans está considerando substituir a política de licença para dias frios por uma para dias quentes, após temperaturas elevadas interromperem os trabalhos de campo.
Investimentos em infraestrutura também estão em pauta. Sophie Boissard, presidente da Clariane, operadora de casas de repouso, anunciou um investimento de 10 milhões de euros em ar-condicionado, devido ao aumento de 15% nas estadias de curta duração, à medida que famílias buscam proteger seus entes queridos do calor.
As opiniões sobre o que essas condições climáticas significam para o futuro variam. Enquanto alguns executivos, como Stephan Timmermann da KSB, acreditam que o calor extremo pode ser o início de uma nova era, outros, como Daniel Ervér da H&M, consideram que os efeitos do clima sobre as vendas tendem a ser neutros a longo prazo. O CEO da Jet2, Stephen Heapy, expressou confiança de que o clima voltará ao normal, enquanto Michael O’Leary da Ryanair minimizou o impacto, afirmando que os europeus continuarão a viajar para destinos quentes, independentemente das condições climáticas.
Esses relatos evidenciam a necessidade crescente de adaptação às mudanças climáticas, com muitas empresas reconhecendo que a preparação para verões mais quentes se tornou uma prioridade. O clima, segundo Catherine MacGregor, presidente da Engie, está se tornando menos previsível e mais extremo, destacando a urgência de ações concretas para enfrentar esses desafios.




