Post: Cuba encerra caderneta de racionamento após 60 anos de subsídios

Cuba encerra caderneta de racionamento após 60 anos, levando a um aumento de preços e insegurança alimentar.
Cuba encerra caderneta de racionamento após 60 anos de subsídios

Após seis décadas, Cuba está prestes a desmantelar a caderneta de racionamento, um sistema que permitia aos cidadãos adquirir produtos a preços subsidiados. Essa mudança ocorre em um contexto de reformas econômicas que visam adaptar o país a uma economia de mercado, em meio à pressão do embargo dos Estados Unidos e a escassez de recursos. A caderneta, que simbolizava a igualdade prometida pela revolução de 1959, está sendo substituída por mercados de bairro, onde os preços são significativamente mais altos.

A moradora de Havana, Paula Sonia Santiago, de 64 anos, expressa sua preocupação com a transformação: “É uma mudança completa em relação a tudo o que sempre vivemos”. A nova realidade econômica tem gerado insegurança alimentar, especialmente em um país onde 66% da população vive em situação de pobreza, conforme um estudo recente.

O sistema de racionamento foi implementado em 1963 por Fidel Castro, em resposta à escassez de alimentos atribuída ao embargo. Durante anos, a caderneta garantiu um mínimo de alimentos a todos os cubanos, independentemente de sua renda, custando ao governo cerca de um bilhão de dólares anualmente. No entanto, a crise econômica dos anos 90 e a implementação de políticas de austeridade nos últimos anos, especialmente sob a presidência de Miguel Díaz-Canel, resultaram na redução drástica dos produtos disponíveis na caderneta.

Atualmente, os cubanos enfrentam dificuldades para encontrar itens básicos, sendo obrigados a recorrer a supermercados estatais que operam em dólares ou a lojas privadas, onde os preços são muito mais elevados. O governo cubano criou mercados de bairro que oferecem produtos a preços ligeiramente inferiores aos do setor privado, mas muitos cidadãos relatam que os preços ainda são inacessíveis. Ivón de la Riva, uma vendedora de café de 64 anos, afirma: “Se esta vai ser a nossa mercearia, os preços deveriam ser mais baixos”. A insatisfação é palpável, com muitos cubanos sentindo que a nova estrutura não oferece as garantias de segurança alimentar que a caderneta proporcionava. Com o fim da caderneta, a população cubana se vê diante de uma nova realidade econômica, repleta de desafios e incertezas sobre o futuro do acesso a produtos essenciais.

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