Os candidatos da chamada terceira via presidencial de 2022, que se apresentavam como alternativas a Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro, estão agora distantes do cenário político, atuando na oposição regional ou até mesmo apoiando a campanha de reeleição do presidente Lula. Quatro anos após a eleição, figuras como Soraya Thronicke e Simone Tebet mudaram radicalmente suas posturas e alianças, refletindo a fragmentação desse grupo político.
Soraya Thronicke, eleita ao Senado em 2018 pelo União Brasil com o apoio explícito de Bolsonaro, agora se encontra no PSB e tem participado ativamente de eventos ao lado de políticos de centro-esquerda. Recentemente, ela foi vista fazendo o “L” em um ato político, uma mudança que surpreendeu muitos eleitores. Em suas redes sociais, Thronicke expressou uma nova visão sobre a política, ressaltando a importância de atuar com amor e missão, em contraste com seu discurso anterior, que era repleto de críticas ao governo atual e ao ex-presidente.
Simone Tebet, que também foi uma das vozes da terceira via em 2022, agora se apresenta como candidata ao Senado por São Paulo, alinhando-se ao PSB e ao ex-ministro Fernando Haddad. Ela já havia demonstrado sua disposição em apoiar Lula durante o segundo turno das eleições passadas, e sua nova posição busca reforçar uma imagem mais centrista na chapa petista. Tebet, que atuou como ministra no governo Lula, tem utilizado suas redes sociais para divulgar ações do governo, consolidando sua nova aliança.
Ciro Gomes, que ficou em quarto lugar na disputa presidencial de 2022, mantém sua posição de oposição, agora focando nas eleições regionais no Ceará. Candidato ao governo do estado pelo PSDB, Ciro busca unir forças com o PL em uma frente de centro-direita, o que gerou tensões internas no partido, especialmente após críticas direcionadas a Flávio Bolsonaro. Outros candidatos da terceira via, como Felipe D’Avila e Padre Kelmon, também estão se reposicionando, mas com menos destaque. D’Avila, que foi o sexto colocado na eleição passada, não confirmou sua pré-candidatura para o governo de São Paulo e se mantém como analista político. Já Padre Kelmon anunciou sua intenção de concorrer a deputado federal, intensificando sua presença em eventos conservadores.
Com menos de 90 dias para o primeiro turno das eleições de 2026, a falta de nomes fortes e a baixa empolgação do eleitorado com as alternativas da terceira via indicam um cenário desafiador para esses candidatos. Pesquisas recentes mostram que Flávio Bolsonaro e Lula estão empatados nas intenções de voto, enquanto os nomes da terceira via não conseguem decolar entre os eleitores. A dispersão e o afastamento dos candidatos da terceira via refletem um momento de incerteza e reconfiguração no cenário político brasileiro.



