Post: Efeito da redução de subsídio ao diesel depende da Petrobras, afirmam especialistas do setor

Especialistas afirmam que o impacto da redução do subsídio ao diesel depende das decisões da Petrobras sobre repasse de custos.
Efeito da redução de subsídio ao diesel depende da Petrobras, afirmam especialistas do setor

O impacto da recente redução do subsídio ao diesel, anunciada pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva, está diretamente ligado às decisões da Petrobras, conforme afirmam especialistas do setor. A estatal, que é a principal fornecedora de diesel do Brasil, terá a responsabilidade de decidir se repassará ou absorverá o aumento de custos, que corresponde ao valor dos impostos federais sobre o combustível.

Atualmente, a Petrobras comercializa o diesel a R$ 2,83 por litro, considerando os descontos de R$ 0,35 que se encerram e de R$ 1,12 que o governo decidiu manter. Caso a empresa opte por repassar o aumento, o preço do litro poderá subir para R$ 3,18. Até o momento, a estatal não se manifestou sobre o assunto.

As empresas importadoras, que representam cerca de 20% do fornecimento de diesel, também devem repassar os custos, segundo executivos do setor. Apesar disso, o diesel ainda se mostra mais barato em comparação ao período de pico de preços, que ocorreu durante o conflito no Oriente Médio.

Dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) indicam que o custo de importação do diesel caiu para R$ 4,17 por litro em Santos, SP, uma redução significativa em relação ao pico de R$ 6,36 por litro registrado em abril. Contudo, o repasse para as distribuidoras é bem menor, com uma queda de apenas R$ 0,25 por litro.

A Petrobras não alterou seus preços desde junho, quando implementou um novo modelo de subvenção. Assim, a redução dos preços para o consumidor depende de um corte nos preços praticados nas refinarias, o que é considerado improvável pelo mercado, dado que o governo está reduzindo subsídios e a defasagem em relação ao mercado internacional ainda é considerável.

Na abertura do mercado, o diesel da estatal apresentava uma diferença de R$ 1,11 por litro em relação à paridade de importação, conforme medido pela Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis). Embora os consumidores tenham sentido os efeitos das subvenções e da queda das cotações internacionais, os preços nas bombas não têm acompanhado essa tendência de queda. Na semana passada, o diesel foi vendido, em média, a R$ 7,05 por litro, uma redução de R$ 0,58 em relação ao pico de abril.

Mesmo com a diminuição nos preços, tanto o custo de importação quanto os preços de venda de produtores e importadores continuam acima dos níveis praticados antes do início dos conflitos no Oriente Médio. A situação exige atenção, pois a dinâmica de preços do diesel impacta diretamente na economia e no cotidiano dos consumidores brasileiros.

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