A revista britânica The Economist publicou uma análise contundente sobre a situação econômica do Brasil, afirmando que o país enfrenta uma necessidade urgente de reformas, mas que nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nem o senador Flávio Bolsonaro possuem a determinação necessária para realizá-las. A reportagem, divulgada na quinta-feira (22), destaca que a chamada “estranha economia” brasileira precisa de um ajuste fiscal significativo para lidar com os altos custos do crédito e a deterioração das contas públicas.
A análise da Economist ressalta que, apesar de Lula ter apresentado um crescimento do PIB acima das expectativas e uma taxa de desemprego em queda, sua gestão tem sido marcada por um descaso com as finanças públicas. O superávit primário que o presidente herdou se transformou em um déficit, e as projeções do FMI indicam que a dívida pública poderá alcançar 97% do PIB em 2023, um aumento considerável em relação aos 84% registrados em 2022. Essa situação gera apreensão no mercado, que teme a continuidade de uma política econômica que não prioriza a responsabilidade fiscal.
Por outro lado, Flávio Bolsonaro, que é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, é comparado ao presidente argentino Javier Milei, conhecido por suas reformas de viés liberal. A Economist menciona que, embora Flávio tenha prometido reduzir o número de ministérios e digitalizar o setor público, suas propostas são vistas como “implausíveis”. A revista sugere que, para que ele consiga implementar tais mudanças, seria necessário um fervor genuíno, semelhante ao que Milei demonstrou em sua própria luta contra os problemas econômicos da Argentina.
Um dos principais desafios que o Brasil enfrenta é o alto custo de empréstimos, que é resultado das elevadas taxas de juros e dos gastos públicos excessivos. A Economist argumenta que, para superar essa crise, é imprescindível um ajuste fiscal rigoroso, que não apenas reduziria a inflação, mas também diminuiria a taxa de juros real, liberando capital para investimentos produtivos. No entanto, tanto Lula quanto Flávio têm se mostrado relutantes em abordar a questão dos altos gastos públicos de forma efetiva.
A publicação também menciona que, mesmo que Lula consiga uma reviravolta surpreendente nas eleições, é improvável que ele se torne um defensor do rigor fiscal. A Economist conclui que qualquer presidente enfrentará dificuldades em convencer o Congresso a aprovar mudanças significativas nas regras que regulam os gastos públicos, destacando que o quórum necessário para isso é bastante difícil de alcançar.
Por fim, a revista aponta que, independentemente de quem vença as eleições, seja Lula ou Flávio Bolsonaro, o resultado provavelmente será decepcionante em termos de reformas econômicas. O mercado pode preferir um candidato em detrimento do outro, mas a realidade é que a necessidade de uma reforma séria permanece, e a falta de coragem política para implementá-las pode perpetuar os problemas econômicos do Brasil.


