A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) divulgou um relatório alarmante nesta segunda-feira (13), revelando que forças russas têm direcionado ataques deliberados contra socorristas e profissionais de saúde na Ucrânia. O documento, intitulado “No Safe Place to Heal” (“Não Há Lugar Seguro para Se Curar”, em tradução livre), descreve uma tática conhecida como “duplo ataque”, onde um primeiro bombardeio visa civis ou combatentes, atraindo socorristas para o local. Em seguida, uma segunda ofensiva atinge aqueles que se aproximam para prestar ajuda, transformando o ato de socorrer em um risco letal.
Um dos casos documentados pela MSF ocorreu em 1º de fevereiro de 2026, nas proximidades de Ternivka, na região de Dnipropetrovsk, onde um ônibus transportando civis foi alvo de dois ataques sucessivos. O cirurgião da MSF que atendeu a situação relatou que cerca de 12 pessoas perderam a vida, e dos 16 feridos levados ao hospital, 9 foram considerados “casos vermelhos”, ou seja, com risco imediato de morte, uma taxa muito acima do padrão de 15% a 20% em incidentes com múltiplas vítimas.
Além disso, o relatório associa o uso de drones do tipo FPV (visão em primeira pessoa) a ataques direcionados contra alvos médicos. Um exemplo impactante é o de Andrii Rebrov, diretor de um centro de saúde em Lyman, na disputada região de Donetsk. Em setembro de 2025, enquanto dirigia um veículo claramente identificado com a cruz vermelha médica, Rebrov foi atingido por um drone, resultando na perda de uma das pernas e ferimentos em uma enfermeira que o acompanhava.
Robin Meldrum, coordenador geral da MSF na Ucrânia, destacou que a organização tem observado essa tendência de ataques a socorristas ao longo dos últimos quatro anos. Embora a falta de distinção entre alvos civis e militares não seja nova, o aumento no volume de ataques e as táticas utilizadas têm se intensificado. “Em algumas noites, mais de 700 drones atacam o país simultaneamente, somados a mísseis balísticos e de cruzeiro”, afirmou Meldrum, ressaltando a gravidade da situação.
Este cenário tem causado uma mudança significativa no padrão de ferimentos tratados pelas equipes médicas, que agora enfrentam desafios sem precedentes ao tentar salvar vidas em meio a um ambiente hostil e instável. A MSF continua a documentar e relatar essas violações graves ao direito internacional humanitário, exigindo que a proteção de profissionais de saúde e socorristas seja respeitada em todas as circunstâncias.



