O dólar registrou uma alta significativa nesta quarta-feira (27), alcançando R$ 5,06, enquanto a bolsa brasileira, representada pelo índice Ibovespa, apresentou uma queda acentuada. O movimento do mercado foi influenciado pela prévia da inflação, que superou as expectativas, e pela desvalorização dos preços do petróleo no cenário internacional.
Com essa alta, a moeda estadunidense atingiu seu maior valor em oito dias, enquanto o Ibovespa caiu, pressionado principalmente pelas ações da Petrobras e pela cautela em relação às taxas de juros no Brasil.
A moeda fechou a R$ 5,061, com um aumento de R$ 0,033 (+0,66%). Durante o pregão, a cotação chegou a atingir R$ 5,07, pouco antes das 11h30. Este é o maior fechamento desde o dia 19 de maio. Apesar da alta de 2,18% no mês, o dólar acumula uma queda de 7,79% no ano.
O Ibovespa, por sua vez, recuou 0,48%, fechando aos 175.744 pontos, marcando sua segunda sessão consecutiva de perdas.
Movimento do Câmbio
A alta do dólar reflete não apenas o fortalecimento da moeda americana no cenário global, mas também a crescente cautela dos investidores em relação ao ambiente externo. As negociações entre Estados Unidos e Irã, além da possibilidade de reabertura do Estreito de Ormuz, provocaram oscilações nos preços do petróleo, aumentando a aversão ao risco em mercados emergentes.
No contexto brasileiro, que é um exportador de petróleo, a queda nos preços da commodity diminui a entrada de moeda estrangeira, pressionando o dólar para cima.
Impactos da Prévia da Inflação
A pressão sobre o Ibovespa foi acentuada pela queda das ações da Petrobras, que acompanharam a desvalorização do petróleo no exterior. Além disso, o resultado da prévia da inflação oficial trouxe preocupações adicionais.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor-15 (IPCA-15) subiu 0,62% em maio, superando as projeções do mercado. No acumulado de 12 meses, o índice alcançou 4,64%, ultrapassando o teto da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central. Esse resultado reforça a expectativa de que o Banco Central poderá manter as taxas de juros elevadas por um período mais longo ou proceder com a redução da Selic de forma mais gradual, o que tende a desestimular o interesse por ações.
As ações da Petrobras, que têm um peso significativo no Ibovespa, também foram impactadas. As ações ordinárias caíram 1,62%, enquanto os papéis preferenciais recuaram 1,43%.
Queda nos Preços do Petróleo
Os preços do petróleo sofreram uma queda acentuada, com o barril do Brent, referência nas negociações internacionais, registrando uma desvalorização de 4,57%, encerrando o dia a US$ 92,25. O WTI, do Texas, caiu 5,55%, para US$ 88,68.
Notícias sobre um possível avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã, que poderiam restabelecer o tráfego comercial de navios pelo Estreito de Ormuz, contribuíram para essa queda. Embora a Casa Branca tenha negado a informação, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as negociações estão avançando.
Mesmo sem confirmação oficial de um acordo, os investidores começaram a apostar em um menor risco de interrupção no fluxo global de petróleo, o que pressionou os preços da commodity para baixo.
*Com informações da Reuters.


