O dólar começou a semana em leve queda nesta segunda-feira (29), cotado a R$ 5,1687, o que representa uma desvalorização de 0,02% em relação ao fechamento anterior. O movimento ocorre em meio à suspensão das hostilidades entre Irã e Estados Unidos, o que trouxe alívio aos mercados financeiros. Na última sexta-feira, a moeda americana havia encerrado o dia cotada a R$ 5,167, com uma queda de 0,25% e a Bolsa de Valores subindo 0,75%, alcançando 173.295 pontos.
Os investidores estão ajustando suas expectativas sobre a política monetária do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, especialmente após a normalização do tráfego pelo Estreito de Hormuz, uma importante rota de transporte de petróleo. A gigante petrolífera Saudi Aramco, por sua vez, anunciou a retomada do carregamento de petróleo em seu terminal de Ras Tanura, após uma paralisação de quase quatro meses. Essa movimentação reforça a percepção de que os mercados de energia estão se estabilizando, com o preço do barril de Brent, referência internacional, fechando a US$ 71,99, uma queda de 4,34% na última sexta-feira.
Phil Flynn, analista sênior da Price Futures Group, comentou que há uma crescente expectativa de que o petróleo continuará a ser transportado pelo Estreito de Hormuz, o que pode aliviar as pressões inflacionárias globais decorrentes do choque energético. Com isso, as chances de um aumento nas taxas de juros pelo Fed também diminuem.
Recentemente, dados de inflação dos Estados Unidos mostraram que o índice PCE, utilizado pelo Fed para balizar suas decisões, avançou 4,1% nos últimos 12 meses, o maior aumento desde abril de 2023. Apesar disso, o núcleo do PCE não apresentou aceleração, o que sugere que as pressões sobre os preços podem não estar aumentando novamente. Martin Beck, economista-chefe da Public Policy Holding Company, afirmou que a queda nos preços dos combustíveis, que impulsionaram a inflação em maio, pode permitir que o Fed mantenha uma postura cautelosa em relação a futuras altas de juros.
Atualmente, 70% dos operadores acreditam que a taxa de juros será mantida na próxima reunião do Fed em julho, enquanto 80% preveem um possível aumento em setembro. Juros mais altos nos EUA geralmente impactam negativamente os investimentos em mercados emergentes, tornando a renda fixa americana mais atraente. Com a moderação nas apostas de juros, o dólar se enfraqueceu globalmente, com o índice DXY, que compara a moeda americana a seis divisas fortes, registrando uma queda de 0,11%, a 101,35 pontos.
No Brasil, o câmbio também foi influenciado por operações do Banco Central, que realizou dois leilões simultâneos, vendendo US$ 1 bilhão em moeda à vista e 20 mil contratos de swap cambial reverso, o que não alterou significativamente a trajetória do dólar. Essas operações são comuns e visam estabilizar a moeda no mercado.



