O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantou questionamentos sobre a efetividade da atuação conjunta do Banco Central (BC) e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na fiscalização de fundos de investimento, especialmente aqueles que podem ser utilizados para lavagem de dinheiro. A declaração foi feita durante uma audiência pública realizada na última segunda-feira (4), onde Dino, que é relator de uma ação sobre o tema, expressou sua preocupação com a capacidade do Estado brasileiro de prevenir fraudes financeiras.
Dino preside uma ação que foi levada ao STF pelo partido Novo, que contesta a constitucionalidade da taxa de fiscalização cobrada pela CVM. O ministro não mencionou diretamente o caso do Banco Master, que tem gerado controvérsias e críticas sobre a atuação da CVM, mas fez alucões a casos de fraudes que envolvem organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
O papel da CVM e do BC na fiscalização
Durante a audiência, o secretário-executivo do Banco Central, Rogério Antônio Lucca, explicou que existe um acordo de cooperação entre o BC e a CVM que facilita a coordenação na fiscalização do sistema financeiro e do mercado de valores mobiliários. Segundo Lucca, os órgãos se reúnem trimestralmente para discutir questões relevantes e compartilhar informações.
“Independente do acordo de cooperação, é dever legal de ambos, que, no âmbito de suas competências, assim que identifiquem alguma irregularidade, notificar o outro órgão. Essa obrigatoriedade é independente de qualquer convênio”, esclareceu Lucca, enfatizando a responsabilidade compartilhada na identificação e notificação de irregularidades.
A crítica de Flávio Dino
Flávio Dino não poupou críticas à ineficácia percebida na fiscalização do mercado financeiro. Ele afirmou que fraudes financeiras são visíveis e fez uma analogia, dizendo que havia um “elefante pintado de azul desfilando na Esplanada”, referindo-se à falta de ação diante de irregularidades evidentes.
“Eu me impressiono, não é de hoje. Ando em Brasília, exercendo cargos desde 1999. Eu nunca vi tanto elefante pintado de azul desfilando na Esplanada. Tanta coisa absurda. A minha indagação como servidor do Estado brasileiro é: ninguém viu? Como que ninguém viu? O elefante é grande, está pintado de azul e está desfilando na frente de todo mundo”, afirmou Dino.
Impacto das fraudes no consumidor
O ministro também abordou as consequências das falhas de fiscalização, alertando que essas falhas resultam em danos diretos ao consumidor. Ele citou o uso de recursos do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para compensar aqueles que foram lesados por fraudes financeiras.
“O FGC, quando desembolsa R$ 40 bilhões ou R$ 50 bilhões, em última análise, alguém pagará essa conta”, destacou Dino, enfatizando que a responsabilidade por essas perdas acaba recaindo sobre os consumidores.
Repercussão e próximos passos
A discussão sobre a atuação da CVM e do BC ganha relevância em um momento em que a confiança do público nas instituições financeiras está sendo testada. A pressão por maior transparência e eficácia na fiscalização é crescente, especialmente após casos de fraudes que abalaram a confiança do mercado. A audiência pública presidida por Dino poderá resultar em novas diretrizes e ações para fortalecer a supervisão dos órgãos reguladores.
Os desdobramentos dessa discussão poderão impactar não apenas a forma como a CVM e o BC operam, mas também a percepção do público sobre a segurança do sistema financeiro brasileiro. A sociedade aguarda respostas e ações concretas que garantam a integridade do mercado e a proteção dos investidores.
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