A Diageo, conhecida por marcas icônicas como Johnnie Walker e Smirnoff, está investindo em inovação para garantir a autenticidade de seus produtos. A empresa anunciou o lançamento de um selo de segurança que permite aos consumidores verificar a procedência das garrafas de destilados disponíveis em bares, restaurantes e supermercados. Essa iniciativa surge em resposta a uma crise de reputação enfrentada em 2025, quando uma onda de intoxicações por metanol associadas a bebidas adulteradas chocou a sociedade brasileira.
O novo recurso, denominado Selo Drink Seguro, utiliza tecnologia de impressão digital, conhecida como fingerprint, que estará presente em cada garrafa do portfólio da Diageo, abrangendo categorias como uísque, gim, vodca, tequila, licor e rum. Ao apontar a câmera do smartphone para o selo, uma inteligência artificial analisa o código e valida a autenticidade do produto, exibindo a mensagem “verificado”. Se o selo não for reconhecido, o consumidor é direcionado a preencher um formulário com informações sobre o produto.
Desenvolvida pela Securetrace, a tecnologia é a mesma responsável pelos elementos holográficos da nota de R$ 100 e pelas películas de segurança do passaporte brasileiro. Com a capacidade de gerar mais de 27 trilhões de combinações, a Diageo não revelou os custos envolvidos no projeto. Paula Lindenberg, CEO da Diageo Brasil, enfatiza que o objetivo da iniciativa é aumentar a segurança dos consumidores. A campanha de divulgação começará nesta terça-feira (15), embora alguns rótulos com a impressão digital já estejam circulando pelo país. A meta é que todas as garrafas dos 49 itens que receberão a novidade estejam identificadas até o final do ano. No entanto, a tecnologia não estará disponível inicialmente para produtos da marca Ypióca e itens de consumo imediato, como a Smirnoff Ice.
Uma pesquisa da Euromonitor International, encomendada pela Associação Brasileira de Bebidas Destiladas (ABBD), revela que a falsificação representa 4,7% do mercado total de bebidas destiladas no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, em 2025, 73 pessoas foram intoxicadas por metanol em casos relacionados ao consumo de bebidas adulteradas, resultando em 25 mortes. De janeiro a agosto deste ano, foram confirmados 17 casos, com outros 23 em investigação.
“A questão do metanol foi uma crise sanitária decorrente de uma prática criminosa que chocou a sociedade. Essa situação ressaltou as graves consequências que a falsificação pode trazer à saúde do consumidor”, afirma Paula. Ela ressalta que, embora a tecnologia seja um passo importante, não é a única solução para combater a falsificação de destilados no Brasil. “É um problema complexo que requer atenção e uma atuação conjunta com o poder público. Precisamos de leis mais rigorosas que tragam consequências adequadas para esse crime”, completa.
A Diageo representa a ABBD, que inclui empresas como Pernod Ricard, Bacardi Martini, Beam Suntory e Brown Forman. Ao ser questionada sobre a possibilidade de disponibilizar a tecnologia para concorrentes, Paula destacou que as empresas devem ter liberdade para escolher as soluções que melhor se adequem a seus portfólios. “Não acreditamos em uma imposição de tecnologia única, mas qualquer iniciativa que proteja o setor e o consumidor é bem-vinda”, conclui. Com o Selo Drink Seguro, a Diageo busca não apenas proteger seus produtos, mas também restabelecer a confiança dos consumidores em um mercado abalado pela falsificação e pela adulteração. A expectativa é que essa tecnologia se torne um padrão de segurança, promovendo um ambiente mais seguro para todos os envolvidos na cadeia de distribuição de bebidas destiladas.



