A deputada paraguaia Rocío Vallejo, do partido Pátria Querida, anunciou que irá apresentar uma denúncia ao Ministério Público nesta segunda-feira (9) sobre saques realizados no Ueno Bank antes da suspensão de suas atividades pelo Banco Central Paraguaio. A parlamentar, acompanhada por um grupo de colegas, levantou suspeitas de que executivos e autoridades teriam se beneficiado de informações privilegiadas para retirar recursos de suas contas antes da crise se tornar pública.
Em uma postagem em sua conta no Instagram, Vallejo expressou seu descontentamento com a situação, afirmando que as retiradas privilegiadas precisam ser investigadas. “Obrigado, Deus, por este domingo estupidamente lindo. Sendo quase 7h da manhã, começo a redigir a denúncia que apresentaremos amanhã, junto com os colegas”, escreveu a deputada, que possui mais de 51 mil seguidores na rede social.
Em entrevista ao jornal paraguaio ABC Color, Vallejo detalhou que a denúncia será feita contra “pessoas não identificadas”, permitindo que os promotores investiguem as grandes transferências realizadas sem proteção política. Ela enfatizou que a fuga de capitais que ocorreu nas horas que antecederam a suspensão do Ueno Bank é um crime grave, conforme previsto no Código Penal paraguaio.
Vallejo também levantou a hipótese de que altos escalões do governo e da diretoria do banco teriam vazado informações sobre a insolvência da instituição a amigos e familiares, que, por sua vez, teriam retirado seus fundos. A situação é alarmante, considerando que quase metade da população paraguaia era correntista do Ueno Bank, que teve suas operações suspensas devido a problemas de solvência e indícios de irregularidades.
O escândalo envolvendo o Ueno Bank resultou na queda do presidente paraguaio Santiago Peña, que foi destituído por impeachment na última sexta-feira. Sua prisão preventiva foi decretada no sábado, e ele é investigado por lesão de confiança e administração em proveito próprio no caso do banco. A situação continua a gerar repercussões políticas e sociais no Paraguai, à medida que a população busca respostas sobre a crise financeira que afetou tantos cidadãos.



