A rápida evolução da inteligência artificial (IA) está gerando uma demanda volátil por energia que tem sobrecarregado os data centers, resultando em falhas e desgaste prematuro de equipamentos essenciais. Com a crescente necessidade de processamento intensivo, baterias, geradores e sistemas de refrigeração estão enfrentando problemas técnicos que podem acarretar custos adicionais e comprometer a confiabilidade das operações. Essa situação gera apreensão entre investidores e credores, especialmente em um cenário onde as grandes empresas de tecnologia estão gastando centenas de bilhões de dólares em infraestrutura, enquanto a preocupação com a depreciação acelerada dessas instalações aumenta.
Amber Villegas-Williamson, consultora do Uptime Institute, destaca que a demanda energética gerada pela IA é incomum, comparando-a ao desgaste de um motor de carro que é acelerado de forma excessiva. Os data centers, que historicamente consomem grandes quantidades de eletricidade, agora enfrentam um desafio ainda maior com as instalações projetadas para computação de IA, que apresentam picos de demanda muito mais intensos e frequentes.
Esses picos podem ser equivalentes ao consumo de energia de pequenas cidades, surgindo e desaparecendo em questão de segundos, o que gera choques que os equipamentos têm dificuldade em absorver. Por exemplo, um data center de um gigawatt consome energia equivalente à de uma cidade do tamanho de Boston, mas pode ter sua demanda variando drasticamente a cada poucos segundos. Alguns projetos de IA em estados como Texas e no Meio-Oeste dos EUA são ainda mais exigentes, consumindo energia semelhante à de grandes metrópoles.
Durante o treinamento de novos modelos de IA, a pressão sobre o fornecimento de energia se intensifica, pois todas as unidades de processamento gráfico (GPUs) são ativadas simultaneamente. Esse processo pode fazer com que o consumo de energia dispare até 50% acima da capacidade projetada, levando a um estresse significativo sobre a infraestrutura elétrica. Drew Baglino, ex-executivo da Tesla, observa que uma instalação de 1 gigawatt pode, em momentos críticos, demandar até 1,5 gigawatts.
Infelizmente, muitos equipamentos não foram projetados para suportar essas oscilações extremas. Jon Parrella, CEO da Terraflow Energy, compara a situação à condução de um carro esportivo em uma marcha inadequada, ressaltando que mudanças bruscas de demanda podem resultar em falhas catastróficas nos sistemas. Especialistas relatam que pequenos motores de combustão utilizados para gerar energia em data centers têm apresentado quebras, e até mesmo turbinas em instalações de computação, como a da xAI em Memphis, sofreram danos.
As consequências dessas falhas podem ser graves, incluindo arcos elétricos que danificam chips de IA. Jennifer Scanlon, CEO da UL Solutions, explica que a falta de estabilizadores adequados, como baterias e transformadores, agrava a situação. Embora existam equipamentos disponíveis para estabilizar o fluxo de energia, a pressa em expandir a capacidade de computação para IA tem impedido sua implementação em larga escala. Essa corrida por infraestrutura pode levar a um cenário de instabilidade mais amplo nas redes elétricas, que já enfrentam desafios significativos para garantir um fornecimento contínuo de energia.



