O candidato à presidência, Augusto Cury, está se preparando para implementar um programa de ajuste fiscal que inclui uma revisão rigorosa das despesas do governo, com o objetivo de combater fraudes e otimizar as compras governamentais. Luiz Carlos Hauly, assessor econômico da campanha, afirmou que o plano prevê uma redução de até 10% nos gastos com compras públicas, por meio da criação de um Banco Nacional de Preços, que permitirá a comparação de preços entre o setor público e o privado.
Hauly enfatizou que, apesar das medidas de contenção de gastos, não será aceitável desvincular os benefícios da Previdência Social do salário mínimo ou aumentar a idade mínima para aposentadoria. “Essas propostas são inaceitáveis”, declarou. Ele foi escolhido para a função apenas 16 dias antes das eleições, mas garantiu que o plano econômico já está registrado no Tribunal Superior Eleitoral e que está sendo revisado constantemente em diálogo com Cury.
O assessor destacou que o plano inclui compromissos com o equilíbrio fiscal, visando um déficit próximo de zero. Para isso, propõe a conclusão da reforma tributária e a antecipação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) para 2028. Além disso, pretende transferir a tributação da folha de pagamento para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e reduzir a carga tributária sobre a propriedade.
Em relação à Previdência, Hauly argumentou que a arrecadação atual é ineficiente, cheia de buracos e sonegação. Ele defende um pente-fino nas contas da Previdência e da Assistência Social, buscando uma gestão mais eficiente e automatizada. O assessor acredita que o ajuste fiscal pode ser alcançado sem comprometer direitos trabalhistas e sociais, focando na melhoria das compras públicas e na eficiência arrecadatória.
“O déficit primário, que exclui os juros, pode ser resolvido rapidamente”, afirmou Hauly, ressaltando que a economia gerada com as compras governamentais será suficiente para equilibrar as contas. Ele também mencionou que a principal despesa do governo federal é com juros, e que uma demonstração clara de segurança política e econômica é essencial para a redução da taxa de juros primária.
Com 40 milhões de aposentados, a Previdência representa um dos maiores gastos do governo. Hauly acredita que a solução para os problemas da Previdência não está em cortes, mas sim em uma melhor arrecadação e na formalização da economia, combatendo a sonegação e a informalidade. “É possível arrecadar o mesmo e ainda ampliar a base de contribuintes”, concluiu.
Cury, por sua vez, tem defendido a estabilização da dívida pública e um pacto social que não submeta o Brasil a juros altos. O assessor reafirmou que as medidas a serem adotadas não serão drásticas, mas sim pactuadas com a sociedade, buscando um caminho sustentável para a economia brasileira.



