A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso intensificou suas investigações sobre os contratos da saúde pública no estado. Recentemente, a comissão decidiu ampliar o escopo das apurações, mirando pagamentos milionários feitos à Sociedade Beneficente Hospital Israelita Albert Einstein e a atuação de Organizações Sociais de Saúde (OSS) em Mato Grosso. Essa deliberação ocorreu durante uma reunião na quarta-feira (13), após um parecer favorável da Procuradoria da Assembleia Legislativa (ALMT), que autorizou a extensão das investigações até os anos de 2024 e 2025.
Com essa ampliação, a CPI poderá investigar contratos firmados durante a gestão do ex-secretário estadual de Saúde, Gilberto Figueiredo. Um dos pontos centrais da investigação é o pagamento feito para a administração do Hospital Central de Cuiabá, que ocorreu antes mesmo da unidade começar a funcionar oficialmente.
O procurador da Assembleia Legislativa, Francisco Edmilson Brito Junior, destacou que os novos fatos possuem uma ligação direta com o objeto original da CPI, que atualmente investiga contratos da saúde entre 2019 e 2023. Essa conexão é fundamental para justificar a ampliação das investigações, que buscam garantir a transparência na aplicação dos recursos públicos destinados à saúde.
Novas linhas de investigação
De acordo com o deputado estadual Wilson Santos (PSD), que preside a comissão, duas novas linhas de investigação foram adicionadas ao escopo da CPI. A primeira diz respeito à atuação da OSS Agir no Hospital Regional de Cáceres. A segunda envolve os pagamentos realizados pelo Governo do Estado à Sociedade Beneficente Hospital Israelita Albert Einstein entre maio e dezembro de 2025, um período em que o Hospital Central ainda estava fechado.
Wilson Santos revelou que aproximadamente R$ 190 milhões foram pagos nesse intervalo, mesmo sem a unidade hospitalar estar em funcionamento. “Não é possível que a Secretaria de Estado de Saúde (SES) tenha permitido isso sem uma justificativa plausível. É necessário haver alguma lógica para pagamentos dessa magnitude com o hospital ainda fechado. E nós vamos cobrar essas explicações”, afirmou o parlamentar.
Contexto da inauguração do Hospital Central
O Hospital Central de Cuiabá foi inaugurado apenas em 19 de dezembro de 2025, e os atendimentos começaram oficialmente em janeiro de 2026. Essa longa espera para a abertura da unidade hospitalar levanta questionamentos sobre a gestão dos recursos públicos e a eficiência na execução dos contratos firmados.
Defesa da transparência nas investigações
O presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (Podemos), também se manifestou em favor da ampliação das investigações. Ele enfatizou a importância da CPI em garantir a transparência na aplicação dos recursos públicos da saúde estadual. A atuação da comissão é vista como fundamental para assegurar que os cidadãos tenham acesso a informações claras sobre como os recursos estão sendo utilizados e se estão de fato beneficiando a população.
Próximos passos da CPI
A comissão ainda precisa votar internamente a ampliação do escopo das investigações. Caso haja rejeição entre os membros, o pedido seguirá para análise do plenário da Assembleia Legislativa. Essa votação será crucial para definir os próximos passos da CPI e a continuidade das investigações sobre os contratos da saúde pública em Mato Grosso.
Com a ampliação das investigações, a CPI da Saúde busca não apenas esclarecer os fatos, mas também garantir que a população tenha confiança na gestão dos recursos públicos. A transparência e a responsabilidade na administração da saúde são essenciais para a construção de um sistema de saúde mais justo e eficiente.
Continue acompanhando o Clique Agora para mais informações sobre esse e outros temas relevantes, garantindo acesso a uma cobertura completa e de qualidade sobre os acontecimentos em Mato Grosso e no Brasil.




