Em um passo significativo para o mercado financeiro brasileiro, a corretora Zero Markets anunciou que permitirá a negociação direta de ações na Nasdaq e na NYSE, utilizando plataformas da BlackArrow e Nelogica. Essa inovação possibilitará aos investidores brasileiros acessar cerca de 11 mil ações e fundos de investimento, tudo em dólares e sem a necessidade de BDRs (Brazilian Depositary Receipts) que são negociados na B3.
Os BDRs funcionam como recibos que representam ações de empresas estrangeiras, permitindo que os investidores brasileiros invistam em ativos internacionais sem precisar enviar dinheiro para o exterior. Contudo, a nova proposta da Zero Markets visa eliminar a dependência da B3, oferecendo uma alternativa mais direta e eficiente para os investidores.
A popularidade dos BDRs tem crescido nos últimos anos, com cerca de um milhão de brasileiros investindo nesse tipo de ativo. Além disso, dados recentes indicam que aproximadamente duas milhões de contas foram abertas em corretoras globais desde o início da década, refletindo um aumento no interesse por investimentos internacionais.
O cenário macroeconômico do Brasil também contribui para essa movimentação. Em março de 2026, o déficit em transações correntes alcançou US$ 6 bilhões, mais que o dobro do registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado de 12 meses até março, esse déficit totalizou US$ 64,3 bilhões, representando 2,71% do PIB. Esse aumento é atribuído à redução do superávit comercial e ao crescimento dos déficits de renda primária e serviços.
Além disso, o volume de ADRs (American Depositary Receipts) de empresas brasileiras negociados nos Estados Unidos já representa 65,6% do total movimentado na B3, evidenciando a crescente busca por ativos internacionais. Com a nova plataforma da Zero Markets, a expectativa é que mais investidores brasileiros tenham acesso direto ao mercado norte-americano, simplificando o processo de investimento e ampliando as oportunidades de diversificação de portfólio.
A Nelogica, que já é utilizada por traders brasileiros, será fundamental para a execução dessa nova proposta, que promete transformar a forma como os brasileiros investem no exterior. A iniciativa não apenas democratiza o acesso a mercados internacionais, mas também representa uma evolução significativa no cenário financeiro do Brasil.




