Imagens de satélite recentes revelaram um iate de luxo de 80 metros de comprimento, que se destaca por sua piscina de 50 metros e toboáguas, ancorado na costa de Wonsan, na Coreia do Norte. O iate foi identificado em várias ocasiões entre julho e outubro deste ano, e sua localização sugere um estilo de vida opulento que contrasta fortemente com as condições de vida da maioria dos cidadãos norte-coreanos. O local, conhecido como a península de Kalma, fica próximo a um resort onde Kim Jong-un e sua família costumam passar férias, em uma casa de praia que serve como refúgio para a elite do regime.
Após meses de manutenção, o iate foi movimentado para a costa, onde se tornou parte de um cenário que inclui outras embarcações de grande porte. Especialistas e desertores do regime afirmam que apenas aqueles com conexões diretas ao círculo de poder têm acesso a iates desse porte, o que levanta questões sobre a desigualdade social na Coreia do Norte. “No inverno, os iates eram mantidos no estaleiro, mas no verão eram levados para a casa de praia de Kim ou para Kalma, onde eram usados para lazer e natação”, explica Ri Jong-ho, ex-funcionário do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte.
Enquanto a ONU classifica a Coreia do Norte como um dos países mais pobres do mundo, com um orçamento militar que prioriza programas nucleares, a elite do regime vive em um luxo inacessível para a maioria da população. Um relatório da ONU de 2025 indica que cerca de 40% dos norte-coreanos sofrem de desnutrição, enquanto a elite desfruta de iates que podem custar dezenas de milhões de dólares. O valor do iate de Kim, conhecido como Princess, é estimado em cerca de US$ 7 milhões, embora seja significativamente menor que os iates observados nas imagens de satélite.
A movimentação dos iates, que coincide com a ausência de Kim em eventos públicos, sugere que essas atividades de lazer são mantidas em segredo. A cidade de Wonsan tem um significado especial para Kim Jong-un, que passou parte de sua infância lá. A elite do país utiliza as casas de praia como refúgios, onde é comum ver crianças e adolescentes praticando esqui aquático durante o verão. No entanto, a imprensa estatal raramente divulga informações sobre as férias de Kim, apresentando essas visitas como inspeções oficiais.
Recentemente, a Coreia do Norte tem promovido Wonsan como um destino turístico, com a abertura de um resort destinado a atrair visitantes, incluindo turistas russos. Embora o governo tenha investido em infraestrutura para o turismo, a maioria dos cidadãos norte-coreanos ainda enfrenta dificuldades financeiras. Pacotes turísticos de quatro noites, oferecidos a preços que podem parecer acessíveis, são, na verdade, um luxo para a maioria da população, cuja renda média é drasticamente inferior à da Coreia do Sul.
Os desertores relatam que os trabalhadores têm direito a apenas 14 dias de férias por ano, um benefício que raramente é respeitado, e tirar dias consecutivos de folga para viajar é uma prática incomum. As férias, portanto, permanecem um privilégio para poucos, enquanto a maioria dos norte-coreanos continua a lutar por condições de vida básicas. Essa disparidade entre a opulência da elite e a realidade da população reflete as profundas desigualdades que caracterizam a sociedade norte-coreana, onde o luxo é reservado àqueles que estão no poder.



