Na última sexta-feira (25), Xi Jinping deixou Washington após um encontro que, embora tenha gerado acordos comerciais, também trouxe à tona a delicada questão de Taiwan. Durante um jantar de Estado, o líder chinês fez um discurso em que defendeu “um novo caminho de convivência entre grandes potências”, uma proposta que já havia sido apresentada a Obama em 2013, mas que na época foi rejeitada por pressupor que os EUA respeitariam os “interesses centrais” da China, incluindo a soberania sobre Taiwan.
O comunicado emitido pela China após a visita de Xi reforçou essa posição, delineando uma relação entre cooperação e problemas a serem minimizados, com Taiwan sendo explicitamente excluído de ambas as listas. O texto exigiu que Washington se opusesse à independência da ilha, colocando os EUA em uma posição delicada em relação a qualquer governo de Taipé que se distancie de Pequim. A expectativa é se Trump, ao assumir a presidência, aceitará essa demanda que Obama já havia rejeitado.
A disputa por Taiwan é complexa e enraizada na história, com Pequim alegando que a ilha pertence à China, conforme acordos feitos durante a Segunda Guerra Mundial. No jantar, Xi evocou a “amizade forjada em sangue e fogo” entre os dois países durante a guerra contra o Japão, enquanto Trump fez referência à aliança histórica, embora a China de Chiang Kai-shek, que se refugiou em Taiwan em 1949, tenha sido o aliado dos EUA na época.
Um sinal contraditório surgiu quando a equipe americana tentou mostrar a Xi o Tratado de San Francisco de 1951, que não especifica a quem Taiwan deveria ser devolvida, um documento que ainda fundamenta a argumentação de que o status da ilha é indefinido. A delegação chinesa, no entanto, se opôs à apresentação do tratado, levando ao cancelamento do restante da agenda. A tentativa de discutir o tratado foi interpretada pela imprensa estatal chinesa como uma provocação.
A importância desse tema é evidente, pois a ambiguidade da política americana em relação a Taiwan é uma questão sensível. Enquanto a burocracia defende uma posição cautelosa, o próprio presidente parece relativizar essa postura. Pequim, percebendo essa diferença, aposta em encontros diretos com Trump, prevendo mais reuniões ao longo do ano, como na cúpula da Apec em Shenzhen e no G20 em Miami.
Curiosamente, a Casa Branca não mencionou Taiwan em suas comunicações oficiais sobre o encontro, o que pode ser interpretado como uma concordância tácita com as demandas de Xi. O silêncio americano, nesse caso, pode ser lido como um sinal de aceitação das exigências chinesas, o que pode ter implicações significativas para a dinâmica entre os dois países e para a situação de Taiwan.




