As empresas chinesas estão intensificando seus esforços para construir uma cadeia global de fornecimento de baterias fora do território nacional, em resposta às crescentes barreiras comerciais adotadas por países ocidentais. Gigantes do setor, como CATL e BYD, estão investindo bilhões em operações internacionais, buscando se adaptar a um cenário global que prioriza a produção local e o protecionismo. Nos últimos dez anos, fabricantes como CATL, BYD, Gotion, CALB e Sungrow têm ampliado suas operações na China, aprimorando suas tecnologias e aumentando a escala de produção. No entanto, a percepção de que a opinião pública e as políticas globais estão se voltando para o protecionismo levou essas empresas a acelerar a criação de uma rede de fornecimento fora da China. De acordo com dados da Climate Energy Finance, as empresas chinesas anunciaram investimentos de aproximadamente US$ 12 bilhões em 14 operações fora do país apenas neste ano. Desde 2023, o total investido se aproxima de US$ 90 bilhões, sendo que US$ 52 bilhões foram direcionados à fabricação de células e US$ 38 bilhões à produção de materiais. A Europa se destaca como uma das principais regiões-alvo para esses investimentos, com um total de US$ 31,5 bilhões destinados a células e materiais desde 2023. Um exemplo recente é o anúncio da Gotion, que revelou um investimento superior a 1 bilhão de euros em uma joint venture com a Volkswagen para a produção de baterias na Espanha, Eslováquia e Marrocos. Nos últimos meses, a Europa endureceu sua postura em relação às exportações chinesas de tecnologia, pressionando Pequim a limitar os embarques de veículos elétricos híbridos e ameaçando novas medidas de retaliação. Zhu Lingbo, diretor de tecnologia da CATL, reconheceu que a necessidade de localizar a produção de componentes se tornou uma prioridade, independentemente das regulamentações. Bruxelas estabeleceu a meta de ter uma cadeia de fornecimento de baterias totalmente localizada na região até o final da década. No entanto, a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis alertou que essa transição pode levar mais tempo do que o esperado, devido à falta de conhecimento tecnológico e competitividade de preços. Na fábrica da CATL na Alemanha, menos da metade dos componentes utilizados é adquirida na Europa, o que levanta preocupações sobre a viabilidade econômica da produção local. A crescente demanda por veículos elétricos torna ainda mais desafiador encontrar fornecedores locais. A velocidade com que as empresas chinesas conseguirão localizar suas operações dependerá também das aprovações governamentais em Pequim. Além disso, os investimentos chineses estão sob o olhar atento de reguladores estrangeiros, que intensificaram o escrutínio sobre os aportes. Recentemente, o Reino Unido impediu a utilização de produtos da fabricante de turbinas Ming Yang em parques eólicos offshore, citando riscos à segurança nacional. A Alemanha, por sua vez, bloqueou a aquisição de um grupo de logística chinês em seu maior porto marítimo. Esses movimentos levantam preocupações sobre a manutenção do domínio chinês nas cadeias de fornecimento essenciais para os sistemas de eletricidade e transporte do futuro. A CATL, por exemplo, está pressionando seus fornecedores a investirem em novas fábricas no exterior, complicando os esforços dos Estados Unidos para reduzir a dependência de empresas controladas por chineses. A análise de Jiayue Zheng, da Wood Mackenzie, destaca que, apesar de novos concorrentes tentando desafiar o domínio chinês, os investimentos necessários são imensos e o retorno pode demorar. A participação dos grupos chineses na produção dos quatro principais componentes das baterias supera 80%, e as projeções indicam que essa fatia de mercado não mudará significativamente até 2034. A desaceleração do crescimento do mercado chinês também impulsiona a expansão internacional, com a necessidade de sobrevivência levando as empresas a buscarem novos mercados. As ações da CATL, por exemplo, caíram mais de 8% após a divulgação de resultados que não atenderam às expectativas do mercado. Diante desse cenário, a expansão das operações no exterior se torna uma estratégia vital para as empresas chinesas, que enfrentam um ambiente cada vez mais desafiador em seu mercado doméstico.




