O governo do Chile anunciou, na última segunda-feira (10), uma medida inédita que permitirá à mineradora estatal Codelco reinvestir todos os lucros obtidos em 2025. Essa decisão visa aliviar a pressão financeira enfrentada pela empresa, que é uma das maiores produtoras de cobre do mundo. O ministro da Mineração e da Economia, Daniel Mas, destacou que, pela primeira vez desde sua fundação em 1976, a Codelco reterá 100% dos US$ 2,4 bilhões (aproximadamente R$ 12,2 bilhões) gerados no ano anterior.
A Codelco, que responde por cerca de 5% da produção global de cobre, está enfrentando desafios significativos, incluindo uma queda na produção e um aumento considerável de sua dívida, que já ultrapassa os US$ 20 bilhões (R$ 102,1 bilhões). Essa situação se agrava em um momento em que a demanda pelo metal, essencial para a infraestrutura de energia limpa e tecnologia, continua a crescer. Segundo a S&P Global, o mundo poderá enfrentar um déficit de 10 milhões de toneladas de cobre até 2040, a menos que haja uma expansão significativa na oferta.
A medida do governo chileno, liderado pelo presidente José Antonio Kast, é uma tentativa de equilibrar a necessidade de manter a saúde financeira da Codelco com a pressão para reduzir o déficit fiscal do país. “O Estado está disposto a abrir mão de receitas tributárias no presente na expectativa de preservar a capacidade da empresa de gerar valor e recursos para o Chile no futuro”, afirmou Juan Carlos Guajardo, fundador da consultoria Plusmining.
Apesar da possibilidade de reinvestimento, especialistas alertam que a Codelco ainda precisa demonstrar sua capacidade de gerenciar eficazmente seus projetos e controlar custos. O novo presidente do conselho da empresa, Bernardo Fontaine, enfatizou a importância de priorizar a rentabilidade em vez de simplesmente aumentar a produção. Ele reconheceu que a meta de produzir 1,7 milhão de toneladas métricas de cobre nos próximos cinco anos pode ter sido excessivamente ambiciosa.
Recentemente, a Codelco revisou para baixo suas estimativas de produção para 2025, reduzindo a previsão em quase 27 mil toneladas métricas, o que representa uma queda de 19% em relação a 2021. A decisão de reinvestir os lucros pode proporcionar à empresa um respiro financeiro necessário, mas não resolverá automaticamente suas questões de endividamento. A capacidade de utilizar esses recursos de forma eficiente será crucial para estabilizar a produção e melhorar o fluxo de caixa, conforme observado por analistas do setor.



