A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) acionou o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) para investigar uma mensagem considerada ameaçadora, publicada por Alexandre Domênico, conhecido como Alê, presidente da torcida organizada Gaviões da Fiel. O episódio ocorreu após Alê fazer uma postagem nas redes sociais, onde expressou descontentamento com a arbitragem, afirmando que a “cota de vocês roubarem a gente dentro da arena já deu” e insinuando que a torcida tem conhecimento sobre onde os árbitros se hospedam antes das partidas.
Em sua publicação, Alê tentou minimizar a gravidade da situação, afirmando que não se tratava de uma ameaça, mas sim um aviso sobre a insatisfação crescente entre os torcedores. “Isso não é uma ameaça. Só estamos avisando que já está ficando insustentável segurar a massa”, disse ele, referindo-se à pressão que a torcida está sentindo em relação aos erros de arbitragem. O Corinthians, time que Alê representa, está programado para jogar contra o Mirassol nesta sexta-feira (30), pelo Campeonato Brasileiro.
A CBF, em sua representação, argumenta que a mensagem de Alê possui “natureza intimidatória” e pode ser enquadrada nos crimes de ameaça e incitação ao crime, conforme previsto no Código Penal brasileiro. Além disso, a confederação destaca que a conduta de Alê pode ser considerada uma incitação à violência relacionada a eventos esportivos, conforme a Lei Geral do Esporte.
Antes de formalizar a representação, membros do MP-SP se reuniram com Mauro Silva, vice-presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), e decidiram solicitar que Alê se manifeste sobre suas declarações em um prazo de cinco dias. Em resposta à repercussão de suas palavras, Alê afirmou que sua postagem foi feita “de cabeça quente” e que ele não falou como representante da Gaviões, mas sim como um torcedor frustrado, assim como muitos corinthianos que se sentem prejudicados pelas arbitragens em jogos recentes.
A CBF não apenas pediu a investigação criminal, mas também solicitou medidas adicionais para garantir a segurança dos árbitros. Entre as providências requeridas estão o reforço da segurança para os profissionais da arbitragem e a proibição de que Alê frequente estádios ou se aproxime dos árbitros. Além disso, a CBF busca medidas judiciais contra a Gaviões da Fiel e seus dirigentes, enfatizando a importância de preservar a integridade e a independência dos árbitros nas competições que organiza.
A CBF reafirma que, embora as críticas à arbitragem sejam parte do ambiente esportivo e consideradas legítimas, elas não devem ultrapassar os limites da liberdade de expressão, tornando-se ameaçadoras ou intimidadoras. A entidade está comprometida em garantir um ambiente seguro e respeitoso para todos os envolvidos no futebol brasileiro, especialmente em um momento em que a paixão dos torcedores é intensamente sentida dentro e fora dos estádios.



