A canistel, conhecida como “fruta de ouro”, tem conquistado o paladar dos brasileiros com sua polpa cremosa e cor vibrante, reminiscentes de um doce de leite. No entanto, essa comparação é rejeitada por Luiz Carlos Donadio, professor da Unesp, que introduziu a fruta no Brasil. Com uma textura que se assemelha à gema de ovo, a canistel é rica em vitamina A e possui altos teores de vitamina C e B3, conforme revelado no livro de referência escrito por Donadio e Antônio Baldo Geraldo Martins.
O nome científico da canistel é Pouteria campechiana, e ela pertence à família das sapotáceas, caracterizada por frutos carnudos e sementes específicas. Desde que chegou ao Brasil há quatro décadas, a canistel tem gerado opiniões divergentes: enquanto alguns a consideram irresistível, outros não se deixam convencer pelo seu sabor menos doce.
Donadio trouxe a canistel ao Brasil durante um pós-doutorado na Flórida, onde encontrou uma coleção de frutas exóticas. Com o apoio da Embrapa, cerca de 100 espécies foram importadas, e a canistel se destacou por sua adaptação ao clima brasileiro, similar ao do México. “Nossas condições são próximas às do México, então era uma garantia de que ia se adaptar no estado de São Paulo”, explica o professor.
Apesar de seu alto valor nutricional, a canistel ainda enfrenta desafios para conquistar o mercado. A fruta, que apresenta cerca de 138 calorias a cada 100 gramas, não é amplamente aceita devido à sua doçura moderada. Donadio observa que esse fator limita sua popularização: “Cerca de metade das pessoas gosta e a outra não”.
A canistel é cultivada em pequenos quintais e plantações no interior paulista, onde aparece em feiras e mercados especializados. Para os interessados em experimentar, é importante colher a fruta ainda firme, mas começando a amarelar, pois amadurece em uma semana e atinge o ponto ideal de consumo.
Embora o potencial da canistel seja reconhecido, Donadio não acredita que ela se tornará uma commodity agrícola. “Acreditamos que seu potencial seja como fruta exótica, ocupando um pequeno nicho de mercado”, afirma. Assim, a canistel continua a ser uma curiosidade no cenário frutal brasileiro, atraindo aqueles que buscam sabores diferentes e nutritivos.



