Nesta safra, o Brasil se depara com um cenário preocupante no setor agrícola: a área destinada ao cultivo de trigo atingiu o menor nível em nove anos. Segundo dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a área semeada recuou para 2 milhões de hectares, representando uma redução de 17% em relação à safra anterior. Essa diminuição é um reflexo de uma série de fatores que afetam a rentabilidade e a viabilidade do cultivo do cereal no país.
Os estados do Paraná e do Rio Grande do Sul, que são os principais produtores de trigo do Brasil, também enfrentam quedas significativas na área de plantio. No Rio Grande do Sul, a área destinada ao cultivo será de 879 mil hectares, uma redução de 24% em comparação com a safra anterior. Já no Paraná, a área plantada será de 722 mil hectares, o que representa uma diminuição de 12%. Essa retração na produção levará a uma estimativa de colheita de apenas 6 milhões de toneladas, o que significa uma queda de 24% e o menor volume desde 2019.
Em 2022, o Brasil havia alcançado uma produção de 10,6 milhões de toneladas, um volume que se aproximava do consumo nacional. Contudo, a trajetória de autossuficiência em trigo, que parecia viável há alguns anos, está se distanciando cada vez mais. Na década de 1980, o país chegou a cultivar o dobro da área que está sendo semeada atualmente, mas a transição para o cultivo de milho, impulsionada pela maior rentabilidade e pelas políticas de preços do setor, fez com que muitos produtores abandonassem o trigo.
Além disso, os custos elevados e os riscos climáticos associados ao cultivo do trigo são fatores que contribuem para essa redução. Com a previsão de um El Niño intenso, o excesso de chuvas na região Sul pode impactar negativamente tanto a colheita quanto a qualidade do cereal. Essa incerteza climática tem levado os produtores a reavaliar suas decisões sobre a área de plantio, aumentando a cautela diante dos riscos envolvidos.
Com a queda na produção, o Brasil deverá importar 6,9 milhões de toneladas de trigo, uma vez que o consumo nacional está estimado em 11,8 milhões de toneladas. Essa dependência crescente de importações é um sinal claro de que o país ainda enfrenta desafios significativos para garantir a segurança alimentar em relação a esse cereal essencial.
A Conab e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também divulgaram as previsões de produção de grãos para a safra nacional de 2025/26. A Conab estima uma safra total de 360 milhões de toneladas, enquanto o IBGE projeta 347,4 milhões. Essa diferença se deve principalmente às variações nas estimativas de produção de soja e milho, que são os principais grãos cultivados no Brasil.
Enquanto a Conab prevê uma safra de soja de 181 milhões de toneladas, o IBGE estima 174 milhões. Para o milho, as previsões são de 142 milhões e 136,5 milhões de toneladas, respectivamente. No que diz respeito ao arroz, as estimativas também variam, com o IBGE prevendo uma produção de 11,7 milhões de toneladas, um pouco acima do que foi estimado pela Conab.



