O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, fez duras críticas à atuação de grandes grupos econômicos que, segundo ele, estão obstruindo a tramitação de propostas importantes para os trabalhadores. Durante o programa Bom Dia, Ministro, Boulos destacou a resistência no Senado à proposta que acaba com a jornada de trabalho 6 por 1 e os obstáculos criados por instituições financeiras para a implementação do programa Move Brasil.
boulos: cenário e impactos
O Move Brasil Aplicativos é uma iniciativa do governo federal que visa facilitar a aquisição de veículos por taxistas e motoristas de aplicativos. De acordo com Boulos, a resistência de grupos empresariais prejudica não apenas os trabalhadores, mas também a ampliação de oportunidades para a população de baixa renda.
“Estamos enfrentando três tipos de problemas principais na implementação do Move Brasil. O primeiro é que muitos pedidos de crédito estão sendo rejeitados, mesmo por pessoas que têm nome limpo”, afirmou o ministro.
Boulos explicou que os bancos têm utilizado critérios como “score, rating e taxa de risco” para negar crédito, o que, na sua visão, é injustificável, já que o governo oferece um fundo garantidor para esses empréstimos. “É inadmissível. Se a pessoa tem nome limpo, o crédito deve ser aprovado”, acrescentou.
Além disso, o ministro apontou que os bancos estão cobrando taxas indevidas para acesso às linhas de crédito especiais. “Se uma instituição exigir entrada, motorista, não aceite. Procure outra”, alertou.
Outro problema destacado por Boulos é a falta de conexão entre os bancos e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que operacionaliza a linha de crédito de R$ 30 bilhões para o Move Brasil. Mesmo com a aprovação do crédito, muitos não conseguem finalizar a contratação devido a essa desconexão.
Boulos anunciou que o governo está tomando medidas para corrigir essas falhas. “Vamos convocar os bancos para resolver esses problemas, especialmente os privados, onde a maioria dos entraves se concentra”, afirmou.
Desafios da jornada 6 por 1
Outro ponto abordado por Boulos foi a resistência de grupos econômicos no Senado, liderados pelo presidente Davi Alcolumbre, que têm dificultado a aprovação da proposta que extingue a jornada 6 por 1. “Não há justificativa para que uma pauta que interessa ao povo brasileiro, aprovada por mais de 70% da população, esteja parada”, criticou.
O ministro ressaltou a importância da proposta, que visa garantir mais tempo livre para os trabalhadores. “Estamos falando de tirar milhões de brasileiros da exaustão e garantir que possam passar mais tempo com suas famílias. Essa pauta representa um grito de liberdade”, afirmou.
Boulos também criticou a atuação de entidades empresariais que, segundo ele, praticam “terrorismo patronal” ao alegar que a redução da jornada resultaria em aumento de preços ou impactos negativos na economia. “Esses argumentos não se sustentam. Temos estudos que mostram que o fim da jornada 6 por 1 traz benefícios ao varejo e aos serviços, como já ocorreu com os aumentos reais do salário mínimo”, concluiu.




