As bolsas de valores dos Estados Unidos continuam a quebrar recordes, impulsionadas pelo entusiasmo em torno da inteligência artificial e do setor de tecnologia. Em maio, os índices Nasdaq e S&P 500 renovaram suas máximas históricas em 11 pregões consecutivos, com avanços de aproximadamente 8% e 11% no acumulado do ano. Esse desempenho impressionante ocorre mesmo em meio a tensões globais, como a guerra no Irã, que têm gerado apreensão nos mercados financeiros.
Os resultados positivos das grandes empresas de tecnologia têm sustentado um apetite crescente por ações nos EUA. Apesar dos impactos do conflito no Oriente Médio, que resultou em um aumento nos preços da energia e do petróleo, as gigantes do setor, como Microsoft e Nvidia, continuam a apresentar resultados robustos. A Microsoft, por exemplo, viu suas ações subirem 8,64% em maio, impulsionadas pela forte demanda por serviços de inteligência artificial em sua divisão de computação em nuvem, que registrou um crescimento de 26% em relação ao ano anterior, alcançando US$ 51,5 bilhões em vendas.
O cenário econômico global também é influenciado por fatores como a interrupção do fluxo de petróleo pelo estreito de Hormuz, uma importante rota marítima que representa cerca de 20% do petróleo e gás natural comercializados mundialmente. Essa interrupção tem elevado os preços da energia, aumentando os temores de uma inflação acelerada e levando os bancos centrais a adotarem posturas mais cautelosas, favorecendo investimentos em renda fixa.
O Federal Reserve (Fed), banco central dos EUA, manteve a taxa de juros entre 3,5% e 3,75% em sua última reunião, e a expectativa é de que essa faixa seja mantida por mais tempo. A ferramenta FedWatch, do CME Group, indica que a maioria dos investidores acredita que a taxa permanecerá inalterada durante todo o ano de 2026. Em teoria, taxas de juros elevadas tornam os investimentos em renda fixa, como os títulos do Tesouro norte-americano, mais atraentes, o que pode reduzir o apetite por ativos de risco.
Contudo, o mercado de ações norte-americano tem demonstrado resiliência, especialmente nos setores de tecnologia e inteligência artificial. “Os investidores estão tentando olhar além do ruído de curto prazo gerado por esse conflito. Essas empresas não são tão impactadas por uma eventual alta dos juros, e o foco continua sendo o micro: toda a revolução de investimentos que está acontecendo, a forte demanda e os lucros que essas companhias vêm entregando”, afirma Marcela Rocha, diretora de investimentos da Avenue.
Além disso, maio foi marcado pela temporada de balanços corporativos, onde as grandes empresas de tecnologia divulgaram resultados sólidos. A Nvidia, por exemplo, também teve um desempenho notável, com suas ações avançando significativamente, refletindo o otimismo em torno da demanda por suas soluções de inteligência artificial. Diante desse cenário, especialistas recomendam que os investidores considerem a dolarização de seus portfólios para proteger seu poder de compra e reduzir a dependência do risco Brasil. Com a continuidade dos avanços nos setores de tecnologia e inteligência artificial, muitos acreditam que ainda há espaço para crescimento no mercado de ações dos EUA, mesmo em tempos de incerteza global. Portanto, a pergunta que fica é: é hora de investir? A resposta pode depender do perfil de risco de cada investidor e de sua disposição para navegar em um mercado em constante evolução.




