Uma nova fase do projeto Genômica da Biodiversidade Brasileira (GBB), desenvolvido pelo Instituto Tecnológico da Vale (ITV), tem como objetivo mapear a fauna marinha da Bahia através de amostras de água coletadas em reservas extrativistas no sul do estado. Essa iniciativa visa não apenas identificar espécies, mas também contribuir para a conservação da biodiversidade local.
Os pesquisadores utilizam uma técnica inovadora chamada DNA Ambiental metabarcoding, que possibilita a identificação de múltiplas espécies simultaneamente a partir de amostras ambientais. Essa abordagem é especialmente útil, pois permite a coleta de informações sem a necessidade de capturar os organismos, tornando o processo menos invasivo.
Técnica de DNA ambiental e suas vantagens
A técnica de DNA Ambiental se baseia na coleta de amostras de água, solo e ar, onde fragmentos de DNA deixados por diferentes espécies são sequenciados e analisados. Segundo Amely Branquinho Martins, coordenadora do GBB pelo ICMBio, “todo animal que passa por um ambiente deixa pedacinhos de pelo, de escama, de fezes ou de urina que contém o seu DNA”. Este método permite que os pesquisadores identifiquem espécies que, de outra forma, seriam difíceis de detectar devido a seus hábitos elusivos ou raridade.
O projeto-piloto está sendo realizado em 30 pontos distintos, sendo 20 na Reserva Extrativista de Corumbau e 10 na Reserva Extrativista de Cassurubá. Os locais foram escolhidos com base na presença de espécies de interesse e na relevância para a conservação de espécies ameaçadas e a possível ocorrência de espécies exóticas invasoras.
Objetivos e impacto social
Além de identificar a fauna marinha, o projeto busca detectar espécies ameaçadas e invasoras, contribuindo para a gestão e conservação das áreas protegidas. Entre os animais que se pretende mapear estão peixes e invertebrados de interesse social e econômico, com especial atenção para espécies ameaçadas de extinção, como os budiões. Os pesquisadores também focarão em espécies que são alvos de pescarias, como peixes recifais e camarões, além de monitorar a presença de espécies exóticas como o peixe-leão.
O papel do GBB na conservação da biodiversidade
Desde 2023, o GBB se destaca como a maior iniciativa de sequenciamento genômico da biodiversidade no Brasil. O projeto visa gerar dados genéticos de espécies ameaçadas, exóticas e endêmicas, com potencial para apoiar a bioeconomia local. Através do mapeamento genético, é possível desenvolver aplicações voltadas para a conservação e o uso sustentável da biodiversidade.
Amely destaca que, “ao conhecer todo o mapa genético de uma espécie, conseguimos desenvolver aplicações para a conservação ou para o desenvolvimento de novos produtos”. Até o momento, mais de 40 genomas de referência foram gerados, com a expectativa de atingir 80 até o final do projeto.
Desafios e perspectivas futuras
O uso do DNA Ambiental está se expandindo globalmente, e o GBB busca avaliar sua eficácia em comparação aos métodos tradicionais de monitoramento da biodiversidade. A técnica já foi utilizada em outros países, e os pesquisadores esperam que sua aplicação no Brasil traga resultados significativos para a conservação das espécies.
Além de contribuir para a conservação, o projeto também está alinhado com a necessidade de monitorar os impactos das mudanças climáticas sobre a biodiversidade marinha. A identificação de espécies ameaçadas e invasoras é crucial para a implementação de estratégias de conservação mais eficazes.
Com a continuidade deste projeto, espera-se não apenas um avanço no conhecimento da fauna marinha da Bahia, mas também um fortalecimento das políticas de conservação e um impacto positivo nas comunidades locais que dependem da biodiversidade para sua subsistência.
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