Citigroup e Bank of America se tornaram os mais recentes bancos dos Estados Unidos a restringir o acesso de agentes de inteligência artificial (IA) às contas de clientes. Essa decisão surge em meio a preocupações regulatórias sobre a possibilidade de que esses agentes possam esvaziar depósitos ao movimentar recursos ociosos em busca de rendimentos mais altos. O Citi declarou que não permitirá que “agentes ou assistentes de IA de terceiros acessem a conta de um cliente ou realizem transações diretamente em nossas plataformas bancárias digitais”, enfatizando que a medida visa proteger as contas e as informações dos clientes.
Brian Moynihan, presidente do Bank of America, também confirmou que a instituição começou a restringir o acesso de agentes de IA aos depósitos de clientes, enquanto desenvolve protocolos para determinar a responsabilidade em pagamentos autorizados por inteligência artificial. Moynihan destacou a importância da autorização humana para a movimentação de dinheiro, afirmando: “Acreditamos firmemente que deve haver uma pessoa envolvida para autorizar a saída de dinheiro da sua conta”. Ele acrescentou que a instituição está trabalhando com fornecedores de agentes autônomos para evitar que os consumidores se sintam inseguros sobre a movimentação de seus recursos.
Essas restrições foram implementadas após o lançamento do assistente pessoal Muse AI, da Meta, que gerou receios sobre a transferência de grandes quantias de dinheiro de contas bancárias em busca de maiores rendimentos. De acordo com um relatório do economista-chefe da Apollo, Torsten Slok, assistentes de IA poderiam automaticamente transferir dinheiro das famílias para contas com rendimentos de 3,3% a 5%, enquanto a média nacional nas contas correntes é de apenas 0,1%. Isso levanta preocupações sobre a perda de depósitos de baixo custo, que são fundamentais para os bancos concederem empréstimos.
JPMorgan, Bank of America e Wells Fargo detêm aproximadamente US$ 1,6 trilhão em depósitos sem remuneração, representando 16% de seus passivos. O pagamento de uma taxa de 3% sobre esses recursos poderia custar aos bancos cerca de US$ 47 bilhões por ano, o que representa quase metade de seus lucros anuais. Se os bancos forem forçados a oferecer juros mais altos para reter depósitos de varejo, isso poderá impactar significativamente seus lucros.
Executivos de Wall Street também se manifestaram junto ao Federal Reserve (Fed) sobre o aumento do uso de agentes de IA para transações financeiras, expressando preocupações sobre a segurança e a responsabilidade. Nos bastidores, reguladores têm recebido positivamente as medidas dos bancos para bloquear o acesso de agentes de IA, reconhecendo a necessidade de esclarecer como os clientes autorizam tecnologias autônomas a realizar transações financeiras em seu nome.
O Citi informou que seus clientes ainda podem autorizar provedores de open banking a ter acesso limitado e apenas para consulta às informações de suas contas. Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase, também anunciou que o banco restringiria o acesso de agentes de IA, destacando a necessidade de proteger os clientes de possíveis fraudes. Dimon afirmou: “Precisamos garantir que estamos protegendo nossos clientes da maneira correta. Por isso, também estamos desenvolvendo ferramentas para isso”.
Christoph Stegmeier, sócio sênior da consultoria Simon-Kucher, sugeriu que os bancos devem buscar maneiras de incentivar os clientes a manter suas economias, ampliando programas de fidelidade que influenciem as taxas oferecidas em empréstimos. Ele enfatizou: “É preciso tornar seus produtos de depósito mais capazes de reter os clientes”.



