O Banco Central (BC) promoveu, na última sexta-feira (22), o evento Finanças, cidadania e bem-estar: os desafios das mulheres no Brasil, que trouxe à tona importantes estudos e pesquisas sobre gênero, raça e acesso ao crédito. A iniciativa, que faz parte da 13ª Semana Nacional de Educação Financeira, teve como objetivo discutir estratégias para o fortalecimento do bem-estar financeiro das mulheres brasileiras.
Debates e reflexões sobre desigualdades
A abertura do evento foi conduzida por Izabela Correa, Diretora de Cidadania e Supervisão de Conduta do BC. Em sua fala, ela destacou a importância da educação financeira como um dos principais motores para o bem-estar financeiro. “A educação financeira é um dos propulsores do bem-estar financeiro”, afirmou Correa, ressaltando a relevância do tema em um contexto onde as desigualdades de gênero e raça ainda persistem.
Dados e pesquisas que revelam desigualdades
A primeira parte do evento, intitulada Gênero e raça em foco: o que dizem os dados do Banco Central e do Sebrae, contou com a participação de especialistas que apresentaram estudos sobre o acesso ao crédito no Brasil. Livia Bastos Gratz, do Departamento de Promoção da Cidadania Financeira (Depef) do BC, trouxe à tona dados que indicam que, apesar de as mulheres participarem ativamente do sistema financeiro em níveis semelhantes aos dos homens, existem padrões distintos de uso. “Observa-se maior uso de instrumentos transacionais, como pagamento de boletos, geralmente de menor valor”, explicou Gratz.
Além disso, a pesquisa revelou que as mulheres enfrentam um maior comprometimento de renda com dívidas, especialmente entre aquelas de menor renda, e possuem menor participação em investimentos. “Para uma mesma raça, as mulheres contrataram créditos mais caros que os homens, e para um mesmo gênero, pessoas da raça negra contrataram créditos mais caros que pessoas da raça branca”, destacou Livia, enfatizando a necessidade de abordar as desigualdades estruturais que afetam a vida financeira das mulheres.
Iniciativas para promover mudanças
Na sequência, a mesa de debate Como promover o bem-estar financeiro das mulheres no Brasil? foi moderada pela própria Izabela Correa e contou com a presença de especialistas como Fernanda Garibaldi, Diretora Executiva da Zetta, e Lucilene Morandi, professora de Economia Heterodoxa e Feminista da Universidade Federal Fluminense (UFF). O objetivo foi discutir caminhos para promover mudanças efetivas no bem-estar financeiro das mulheres, considerando as desigualdades existentes.
Ana Márcia Fonseca, Chefe da Divisão de Educação Financeira do Depef/BC, ressaltou a importância do evento, afirmando que ele provoca reflexões sobre como melhorar a vida das mulheres no Brasil. “Pretendemos debater não só estudos e pesquisas que evidenciam essas desigualdades, mas caminhos para promover mudanças no bem-estar financeiro de todas as mulheres”, afirmou.
Relatório de Cidadania Financeira e suas implicações
O evento também trouxe à tona o Relatório de Cidadania Financeira (RCF) 2025, que, pela primeira vez, aprofundou as análises com recortes por raça. O relatório evidencia a necessidade de adequar produtos e serviços financeiros para mulheres que conciliam empreendimentos com responsabilidades de cuidado. Além disso, destaca a importância de desconstruir a cultura que considera as mulheres empreendedoras menos capazes que os homens, uma visão que impacta desde a cobrança de taxas de juros até a autopercepção e a iniciativa empreendedora.
As análises do RCF não apenas revelam as desigualdades existentes, mas também orientam políticas e iniciativas que buscam promover maior equidade no sistema financeiro, contribuindo para a inclusão e autonomia econômica das mulheres.
Próximos passos e a importância da inclusão
O evento do Banco Central foi um passo importante na discussão sobre o bem-estar financeiro das mulheres no Brasil, evidenciando a necessidade de ações concretas para enfrentar as desigualdades de gênero e raça. As análises apresentadas durante o encontro oferecem um panorama detalhado das experiências das mulheres no sistema financeiro, permitindo que políticas públicas e iniciativas privadas sejam moldadas para atender a essas demandas.
Para conferir o Relatório de Cidadania Financeira completo e assistir ao evento na íntegra, clique aqui.


