A encíclica “Magnifica Humanitas”, do papa Leão 14, traz uma série de reflexões sobre a condição humana e a ética em tempos de inteligência artificial. O autor Rui Tavares, historiador e ex-deputado, aponta que, apesar de concordar com muitos dos princípios apresentados, há aspectos que merecem uma análise mais profunda.
Tavares destaca a estranheza de uma encíclica lançada durante o período de Pentecostes não abordar este evento significativo. Pentecostes, no Novo Testamento, simboliza a comunicação e a compreensão entre diferentes culturas e línguas. A falta dessa referência, segundo ele, pode ser vista como uma omissão crítica em um momento em que a IA tem o potencial de unir ou dividir a humanidade.
O autor menciona a importância de figuras como o filósofo Hans Jonas e o profeta Jonas, que, de maneiras distintas, falam sobre responsabilidade e a possibilidade de redenção. A encíclica, ao focar na reconstrução das “muralhas” da sociedade, pode transmitir uma visão pessimista, ao invés de incentivar a mobilização para um futuro mais inclusivo e colaborativo.
Para Tavares, a mensagem que deveria prevalecer é a de que a humanidade ainda pode se entender e se unir, mesmo diante das adversidades. Ele enfatiza que as muralhas da humanidade ainda não caíram, e que é hora de elevar a humanidade, mostrando o melhor que ela pode oferecer.
Em suma, a encíclica de Leão 14 provoca uma reflexão importante sobre o futuro da humanidade em relação à inteligência artificial. Tavares conclui que, mais do que reconstruir, é fundamental mobilizar esforços para evitar a destruição do que já foi construído.
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