Post: Aumento de 122% no uso de óleos vegetais como biocombustível desde 2020

Uso de óleos vegetais como biocombustível cresce 122% desde 2020, impulsionado por crises geopolíticas e aumento da demanda.
Aumento de 122% no uso de óleos vegetais como biocombustível desde 2020

O uso de óleos vegetais como biocombustível teve um crescimento significativo nos últimos anos, com um aumento de 122% desde 2020. Essa mudança é impulsionada por conflitos geopolíticos e incertezas no fornecimento de petróleo, que elevaram a demanda por alternativas mais sustentáveis. Nos principais consumidores de biodiesel, como Tailândia, Brasil e Estados Unidos, a utilização de óleo vegetal deverá alcançar 34,3 milhões de toneladas. Se incluirmos a União Europeia, que mantém um consumo estável de 6 milhões de toneladas por ano, esse número sobe para 40,3 milhões.

O crescimento do consumo de biodiesel vem ocorrendo há duas décadas, inicialmente com o objetivo de promover uma energia mais limpa. Contudo, a crise no fornecimento de petróleo, especialmente após a guerra do Irã, levou diversos países a aumentar a mistura de biodiesel ao diesel, como uma estratégia de segurança energética. A Indonésia, por exemplo, adotou uma mistura de 50% de óleo de palma ao diesel, prevendo um consumo de 17,4 milhões de toneladas em 2027, um aumento considerável em relação aos 7,2 milhões de 2020. A Malásia e a Tailândia também aumentaram suas misturas, enquanto no Brasil, a utilização de óleo de soja deve crescer de 4,2 milhões para 8,7 milhões de toneladas, caso o B16 (mistura de 16%) seja implementado em breve.

Esse aumento na mistura de óleos vegetais beneficia os produtores, já que a demanda por esses óleos está em alta. A produção de soja, por exemplo, tem se expandido continuamente, refletindo a crescente necessidade. Nos últimos 15 anos, o consumo de óleo de soja para biodiesel nos Estados Unidos cresceu 913%, enquanto no Brasil, o aumento foi de 383%. No entanto, países como a Índia enfrentam desafios, pois dependem da importação de cerca de 16 milhões de toneladas de óleos vegetais anualmente para alimentação.

A produção de soja é um fator crucial para essa elevação no volume de óleos vegetais. Em 2010/11, os países produtores disponibilizaram 261 milhões de toneladas da oleaginosa, e essa cifra pode chegar a 443 milhões em 2026/27, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O Brasil, que produziu 75 milhões de toneladas em 2011, deve atingir 182 milhões nesta safra.

Atualmente, a produção mundial de óleos vegetais já alcança 243 milhões de toneladas, com os óleos de palma e de soja se destacando, totalizando 79 milhões e 75 milhões, respectivamente. A crescente utilização de óleos vegetais como combustíveis também impacta os preços ao consumidor. Desde 2020, o óleo de soja acumula uma alta de 145%, em um cenário de inflação média de 73% nos alimentos, segundo dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Esse aumento é resultado de quebras de safra, redução de estoques globais e uma demanda crescente pela oleaginosa, além da alta nos preços internacionais.

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