Na noite de quarta-feira (1º) e madrugada de quinta (2), Kiev, a capital da Ucrânia, foi alvo de um dos maiores ataques aéreos realizados pelas forças russas desde o início da guerra em 2022. Ao menos dez pessoas perderam a vida e 56 ficaram feridas, em um bombardeio que atingiu principalmente edifícios residenciais. A Rússia justificou a ação como uma retaliação a ataques recentes à sua infraestrutura civil.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, já havia alertado sobre a possibilidade de um ataque noturno e decidiu encurtar sua visita a Dublin, onde participava da cerimônia de início do mandato da Irlanda na presidência rotativa da União Europeia. O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, informou que um prédio residencial desabou parcialmente após ser atingido por um projétil russo.
Imagens de vídeo mostram equipes de emergência trabalhando nos escombros de um edifício de nove andares, enquanto incêndios se alastravam pela cidade. “O inimigo mais uma vez mirou deliberadamente em bairros residenciais e matou civis. Sofremos danos extensos e um número significativo de vítimas, incluindo crianças”, declarou Tymur Tkachenko, chefe da administração militar da capital, em uma postagem no Telegram.
Klitschko também mencionou que entre os feridos estavam paramédicos e motoristas de ambulâncias, e que algumas pessoas ainda estavam presas nos edifícios danificados. Fotos divulgadas nas redes sociais mostram um incêndio fora de controle no topo de um edifício no Boulevard Shevchenko, enquanto janelas de outros prédios foram estilhaçadas e veículos destruídos.
Durante a noite, moradores da capital se aglomeraram em estações de metrô, levando crianças, pertences e até animais de estimação, enquanto alertas de ataque aéreo eram emitidos para a maior parte do território ucraniano. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, fez um apelo urgente por mais apoio militar, enfatizando que a defesa aérea é uma prioridade após a noite de horror vivida em Kiev.
A Polônia, membro da OTAN e da União Europeia, mobilizou brevemente caças como medida preventiva, mas posteriormente recuou, afirmando que não houve violação do espaço aéreo. A Finlândia também emitiu uma zona de restrição temporária antes de suspendê-la.
Este ataque é visto como uma resposta da Rússia à campanha do presidente Zelenski contra o sistema energético do país, que invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022. Com a adição de mísseis de cruzeiro às suas frotas de drones, Kiev tem causado uma grande disrupção nas operações russas, levando a um aumento das tensões na região.



