Um ataque aéreo atribuído a Israel resultou na morte de **Mohammed al-Waheidi**, um trabalhador humanitário de 65 anos que organizava festas em Gaza para que a população assistisse à Copa do Mundo de futebol. O incidente ocorreu na terça-feira (7), quando al-Waheidi estava a caminho da casa de um amigo para ver a partida entre Argentina e Egito. Segundo seu filho, **Fawaz al-Waheidi**, o pai foi atingido enquanto dirigia em um carro. A situação é ainda mais trágica, pois a família não sabia ao certo onde ele estava em relação ao alvo do ataque, um militante do Hamas.
O Exército israelense declarou que o ataque tinha como alvo um membro do Hamas, mas não confirmou a morte de al-Waheidi, que era conhecido por seu trabalho no **Comitê Egípcio em Gaza**, um grupo que auxilia na entrega de ajuda humanitária e na resolução de disputas familiares. Em um comunicado, as autoridades israelenses expressaram estar cientes das alegações sobre ferimentos de civis e lamentaram qualquer dano.
Desde a assinatura de um acordo de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos em outubro passado, Israel tem realizado ataques aéreos frequentes em Gaza, justificando-os como parte de uma operação contra militantes do Hamas. O ataque de 7 de outubro de 2023, que resultou na morte de 1.200 israelenses e no sequestro de cerca de 250, desencadeou uma nova onda de violência na região. O Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, reporta que mais de 73.000 palestinos foram mortos durante o conflito, embora não faça distinção entre civis e combatentes.
Fawaz al-Waheidi, em uma entrevista por telefone, relatou que recebeu a notícia da morte do pai de forma abrupta e angustiante. Ele tentou entrar em contato com Mohammed, mas foi atendido por um desconhecido que apenas informou sobre um ferido. A dor da perda é intensificada pela incerteza em torno da situação, já que o ataque ocorreu em um momento de celebração e união para muitos na região, que aguardavam ansiosamente as partidas da Copa do Mundo.
A morte de al-Waheidi levanta questões sobre a segurança dos civis em Gaza, especialmente em um contexto de ataques aéreos contínuos. Apesar das alegações de que os ataques visam apenas militantes, relatos de autoridades médicas e registros hospitalares indicam que civis também têm sido vítimas. Desde o cessar-fogo, mais de mil pessoas, incluindo crianças, foram mortas em Gaza, um reflexo da complexidade e da tragédia que permeiam o conflito na região.
A situação em Gaza continua a ser uma fonte de preocupação internacional, com apelos por uma solução pacífica e humanitária. A morte de Mohammed al-Waheidi é um lembrete sombrio das vidas perdidas em meio a um conflito que parece interminável.




