Post: Álbum de figurinhas ajuda argentino a descobrir parente desaparecido durante a ditadura

Álbum de figurinhas revela história de parente desaparecido durante a ditadura argentina, promovendo diálogo sobre memória e justiça.
Álbum de figurinhas ajuda argentino a descobrir parente desaparecido durante a ditadura

Um projeto simples, mas carregado de significado, levou um argentino a redescobrir sua história familiar. Ariel Cuadra, artista gráfico, criou um álbum de figurinhas em homenagem às Mães e Avós da Praça de Maio, um grupo que luta pela memória dos desaparecidos durante a ditadura argentina (1976-1983). O que ele não esperava era que essa iniciativa despertasse memórias em sua própria família, revelando a história de um parente que havia sido sequestrado.

Ao lançar o álbum, que buscava fomentar diálogos sobre o passado e manter viva a luta dessas mulheres, Cuadra teve uma conversa reveladora com seu pai. “Aconteceu algo anedótico, eu diria”, disse ele, ao relatar como a comoção gerada pelo projeto fez com que seu pai compartilhasse a história de Roberto Castillo, seu tio-avô, sequestrado em 1977.

Roberto Castillo, um trabalhador e membro da Juventude Peronista, foi levado de sua casa em Almirante Brown, na Grande Buenos Aires, por um grupo de militares. A noite de 12 de janeiro de 1977 ficou marcada na memória da família. Martín, filho de Roberto, recorda a cena aterrorizante: soldados armados invadiram sua casa, revistando tudo em busca de informações. “Eles arrombaram a porta. Lembro que meu pai estava calmo, mas foi algemado e levado”, conta Martín, que tinha apenas 8 anos na época.

A promessa de que Roberto seria libertado em 24 horas nunca se concretizou. A família nunca mais teve notícias dele, e somente em 2009 seus restos mortais foram identificados, enterrados sem nome em um cemitério próximo. Desde 2012, seu nome é homenageado em uma rua de Almirante Brown, mas a dor da perda ainda permanece.

O álbum de figurinhas, lançado às vésperas da Copa do Mundo, não só trouxe à tona a história de Roberto, mas também serviu como um catalisador para que outras famílias relembrassem seus próprios desaparecidos. Cuadra acredita que seu projeto pode inspirar outros a explorar suas histórias familiares. “Foi a partir da criação deste álbum que começamos a construir nossa própria história familiar”, afirma. “Imagino que isso também possa acontecer em outras famílias ou comunidades, e era essa a intenção também.”

A ideia de Cuadra surgiu em abril, quando observou a paixão que os álbuns de figurinhas despertam, especialmente entre os jovens, durante a Copa do Mundo. Com isso, ele buscou não apenas resgatar a memória dos desaparecidos, mas também criar um espaço de diálogo e reflexão sobre as consequências da ditadura e a importância da luta pela verdade e justiça.

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