Post: Araucárias gigantes caem no Sul do Brasil devido ao solo encharcado

Entenda por que as araucárias gigantes estão caindo no Sul do Brasil devido ao solo encharcado, intensificado pelo fenômeno El Niño.
Araucárias gigantes caem no Sul do Brasil devido ao solo encharcado

As araucárias gigantes, conhecidas por sua majestade e longevidade, estão enfrentando um problema alarmante no Sul do Brasil. Pesquisas recentes indicam que o solo saturado por chuvas prolongadas, intensificadas pelo fenômeno El Niño, é a principal causa do tombamento dessas árvores monumentais. O alerta surgiu após quedas emblemáticas no Paraná e em Santa Catarina, levando especialistas a monitorar as araucárias restantes e a preservar o DNA dessas espécies centenárias.

Com mais de 40 araucárias gigantes registradas em fazendas, parques e áreas de pesquisa, a região Sul do Brasil abriga os maiores troncos já medidos da espécie. Um dos destaques é o famoso ‘Pinheirão’, localizado em uma fazenda em São Joaquim (SC), que possui mais de 39 metros de altura e um tronco com 3,25 metros de diâmetro. Outras árvores monumentais podem ser encontradas em parques públicos e propriedades particulares em cidades como Canela (RS), Cruz Machado (PR) e Fraiburgo (SC).

Contrariando a crença popular, estudos científicos demonstram que o vento raramente atinge a força necessária para romper o tronco dessas gigantes. O verdadeiro vilão é o solo saturado. As araucárias costumam viver em solos argilosos, que retêm muita água. Quando ocorrem chuvas prolongadas, o solo perde sua coesão, transformando-se em uma lama que compromete a sustentação das raízes, levando à queda das árvores pelo próprio peso, mesmo sem ventanias extremas.

Durante anos de El Niño, o padrão de chuvas muda significativamente na região. Ao invés de tempestades isoladas que permitem que o solo seque, há sequências prolongadas de dias chuvosos. Esse acúmulo de água mantém a terra constantemente encharcada, aproximando-a do seu ‘limite de liquidez’. Quando o terreno se torna excessivamente mole por semanas, árvores que resistiram por séculos acabam cedendo à instabilidade do solo.

Para lidar com essa situação, especialistas recomendam estratégias de manejo preventivo. Entre as sugestões estão a melhoria da drenagem em áreas onde a água costuma se acumular e o monitoramento constante da umidade do solo ao redor das árvores. Além disso, o uso de tecnologias como a tomografia nos troncos permite avaliar a saúde interna das árvores sem causar danos. Para os exemplares que já caíram, pesquisadores estão utilizando a clonagem para garantir que o material genético dessas gigantes não se perca para sempre. A preservação das araucárias é crucial não apenas para a biodiversidade, mas também para a cultura e a identidade da região Sul do Brasil. O trabalho conjunto de especialistas, fazendeiros e órgãos de pesquisa é fundamental para garantir que essas árvores icônicas continuem a fazer parte da paisagem brasileira por muitos anos.

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